quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

30 Anos

Nesse fim de ano, eu fiz 30 anos. Não que isso signifique muito pra mim, afinal, é só mais um número pra coleção de números da minha vida. Mas é estranho; parece que fazer 30 anos tem muito mais significado para os outros.

Há algumas semanas, as pessoas vêm me perguntando como me sinto prestes a fazer 30 anos, prestes a me tornar uma balzaquiana, preste a isso, a aquilo… enfim…

Sinceramente, me sinto do mesmo jeito que me senti quando fiz 18, outro número supostamente marcante: nada muda. Aliás, talvez mude sim, já que agora passarei a usar o Chronos 30 da Natura ao invés do 25, mas, de resto, tudo permanece igual.

Quando eu era pequena, ficava imaginando como seria minha vida aos 18 anos. Em minha cabeça louca e criativa de criança, passavam imagens todas prateadas, futurísticas, roupas metálicas, naves… resumindo: Jetsons. Cheguei aos 18 anos e o mundo continuava do mesmo jeito que eu o conheci quando nasci.

É, tirando algumas poucas mudanças “revolucionárias”, como o surgimento da “incrível” internet, agora, aos 30 anos, vejo que é verdade, as coisas não mudam. O que mudam, no máximo, são os nomes (mas por essa etapa, eu passei aos 12 anos) e a forma como vemos as coisas…

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Sobre Os Correios

Vou confessar uma coisa: eu sinto falta de escrever cartas. Sim, mesmo respirando tecnologia quase que 24 horas por dia, o que me aproxima de 90% das pessoas pra quem eu gostaria de escrever, sinto falta de escrever cartas para elas.

Não sou tão velha assim, mas sou do tempo em que…
…quando queriam ganhar um brinquedo, as crianças mandavam cartinhas para o programa de sua apresentadora infantil preferida.
… para participar de promoções, as mães recortavam embalagens de macarrão e mandavam para uma determinada caixa postal até uma data específica e ficavam ansiosas pelo sorteio ao vivo no intervalo da novela das oito.
… os casais apaixonados escreviam suas declarações por cartas enviadas sempre em papéis bonitos e, às vezes, até perfumados.
… os que queriam se declarar, mas não tinham coragem, escreviam cartas que dificilmente seriam enviadas.
… amigos distantes contavam novidades por cartas que demoravam a chegar. Mal recebíamos uma, já ficávamos à espera do que viria nas próximas.
… amigos adolescentes trocavam segredos por cartinhas em folhas de caderno arrancadas durante a aula.
… colecionávamos os mais belos papéis para enviar às pessoas mais queridas.

Não que eu não goste da facilidade e da rapidez com que a internet me proporciona acesso às pessoas queridas (ou não), mas há certa impessoalidade nestas relações, certo distanciamento.

Cada vez que vejo um recado, um post, um tweet, fico imaginando como seria a letra de quem escreve – será a caligrafia redondinha ensinada antigamente na escola ou a letra de forma objetiva ou a incompreensível letra de médico? -, em que papel estariam escritas aquelas palavras… será que, no espaço da página em branco, seriam mesmo aquelas as palavras escolhidas….

Quando eu era adolescente, havia seções em algumas revistas (como a Rock Brigade) destinadas à troca de correspondência. Funcionava assim: caso quisesse se corresponder com pessoas de diversos lugares, com interesses em comum, você mandava seu endereço para a seção e, depois de publicado, as pessoas começavam a trocar cartas. Era o tal do penpal americano em verão nacional. Nunca mandei meu endereço por não gostar da exposição, mas, certa vez, no curso de inglês, a professora passou o endereço de uma garota que morava em New Jersey e que gostaria de se corresponder com os alunos. Aproveitando a oportunidade para treinar nosso inglês, eu e os outros alunos começamos a escrever.

A ansiedade adolescente deixava a situação ainda mais emocionante: eu não só receberia uma carta, como ela viria de outro país, escrita em outro idioma… Como se New Jersey fosse na esquina da minha casa, todos os dias, eu esperava ansiosa que o porteiro colocasse embaixo da porta o envelope branquinho com o selinho colorido e o carimbo vermelho com a data.

Tenho até hoje as cartas que recebia da Nicole – sim era esse o nome da minha penpal friend, assim como tenho guardadas muitas das cartinhas que recebi nesses quase 30 anos de vida… Reler certas palavras, rever letras que uma vez foram tão comuns para mim, lembrar assuntos e segredos tão inocentes, lembrar de pessoas que já se foram… É, é disso que eu sinto falta, de ter os sentimentos e as pessoas, de alguma forma, para sempre presentes na minha vida.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O botão. As pessoas.

Eu não gosto de botão. Não é por nada, eu até sei que são importantes, mas eles caem. E quando caem, perdem-se. E quando perdem-se, nunca mais se encontra um igual. E aí, ficamos lá, com a casinha sem o botão.

De repente, a gente tá andando sem pensar em nada e encontra o botão perdido. O botão perdido que nunca mais achará sua casinha. É. Já trocamos os botões, já doamos a roupa...

E o que se faz com o botão encontrado? Tem gente que faz colar. Mas um colar de botões encontrados é só um colar de botões perdidos que nunca mais serão encontrados.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Sobre a Adele e eu

Há meses, venho dizendo para meus amigos Imira e Batata que eu não gosto da Adele.... que preferia ir a um show do Mr. Catra a um da cantora.

Há um motivo pra isso, além do fato de terem dito que ela substituiria a (para mim) insubstituível Amy Winehouse.

Adele, pra mim, não canta com o coração; não vejo, nem sinto emoção no que ela canta. É óbvio pra qualquer pessoa que ouça, inclusive eu, que a voz dela é bonita, mas falta alguma coisa. É como ouvir Elis Regina interpretando Fascinação e ouvir a mesma música cantada pela Sandy: Sandy faz tuo certinho, não desafina, não tem uma voz ruim, mas falta sentimento.

Depois de ouvir Rolling in the Deep algumas vezes pra tentar me convencer pela insistência, tenho relutado e me feito de surda a cada pessoa que diz que Adele é maravilhosa, e confesso que, além de me recusar a ouvir qualquer outra música que ela cantasse, toda vez que começa a tocar Someone Like You na novela, sai da minha boca o comentário "Canta bem, mas não tem emoção. Não gosto."

Essa semana, no Facebook uma pessoa completamente isenta de opiniões sobre a cantora, compartilhou o vídeo de Chasing Pavements com um comentário que não falava da linda voz da cantora, mas da beleza do vídeo. Foi isso que me levou a dar o play e ouvir a música.

Pois é, não sei se influenciada pela beleza plástica do clipe, achei que nessa música a Adele realmente canta com sentimento. Curti. E não há nada mais a dizer.



domingo, 11 de dezembro de 2011

Coppola e Jô Soares

E aí que o Jô Soares entrevistou ontem Francis Ford Coppola.

Diretor de filmes como "O Poderoso Chefão" e "Apocalipse Now", Coppola decidiu, nos anos 1970 se dedicar à produção de vinhos - talvez por influência de seus antepassados italianos, sei lá!

Aí, Jô Soares diz que quer oferecer um pouco do vinho Rubicon de Coppola. Mas como não encontrou comprou um outro.

Caramba, Jô, se não tinha o dele, era melhor não ter oferecido nada, né?!

http://www.youtube.com/watch?v=i3TZr6k-JPA


Reparem que ele disse: "Esse é bem diferente do Rubicon." E ainda: "É de uma linha mais em conta." E completou meio desanimado: "Mas é bom..."

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Mais uma vez: sobre o gospel

Fui criada desde pequena numa igreja protestante tradicional e talvez por isso ache um pouco estranho o que essas novas igrejas fazem quando o assunto é música.

Não tenho nada contra, cada um na sua, mas pra mim, "música de igreja" (hino) é uma coisa e música popular é outra. Talvez por isso eu nunca tenha feito nenhuma Marcha pra Cristo, nunca tenha corrido atrás do trio elétrico evangélico do Xandy, nunca tenha ido a uma balada reggae evangélica com a banda Arca Reggae, nem tenha assistido a nenhum show de pagode do convertido Salgadinho, ex-Katinguelê.

Como gosto de rap (além de inúmeras outras coisas), tentei ouvir o rap gospel do Apocalipse 16, Pregador Luo, DJ Alpiste, mas não deu, pra mim tudo soou um tanto quanto artificial.

Enfim, talvez por preconceito e por achar que o próposito da música na igreja se perdesse um pouco com essas "inovações", quando se falava em gospel pra mim, se não fosse o verdadeiro de Mahalia Jackson, Sister Tharpa James, entre outras, eu fechava os ouvidos e partia pra outra.

Fato é que dando uma olhada num site de rap descobri que nos Estados Unidos há uma onda de rap chamada "Holy Hip Hop". E eu, que nunca gostei de rap gringo, nem dessas misturas todas chamadas "gospel", tinha tudo para odiar.

Mas não foi bem o que aconteceu. Talvez atraída pela beleza do vídeo, pela bela fotografia, ou mesmo pelo fato de não ser "Gospel" Hip Hop, mas "Holy", enfim, gostei muito do trabalho do inglês Genex. "By his Grace", apesar de ser um rap, tem a leveza e tranquilidade das "músicas de igreja" e talvez por isso tenha me conquistado.



Próximo passo é ir ao próximo culto/show de reggae promovido pela igreja Bola de Neve pra saber qual é. E espero ter a mesma boa surpresa do Holy Hip Hop.