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sexta-feira, 29 de outubro de 2010
And if I could begin it all over again?
And if I could begin it all over again, knowing what I know now, the result would be the same. And if I could begin again a third time, knowing what I would know then, the result would be the same. And if I could begin it all over again a hundred ties, knowing each time a little more than the time befre, the result would always be the same. and the hundreth life as the first, and the hundred lives as one.
sexta-feira, 23 de julho de 2010
O problema de Paulo Coelho, o Mago (Mago?!)
Em seu novo livro, Paulo Coelho escreve:
Machado de Assis* escreveu:
Não há como comprarar Machado de Assis com Paulo Coelho? Então, compare com Lourenço Mutarelli.
O problema não é uma história ruim, pois até histórias ruins ficam boas, se bem escritas. O problema é não saber trabalhar com as palavras.
* Apesar de reconhecer que ele sim é o MAGO, Machado de Assis não está na lista dos meus escritores favoritos.
"O chão está molhado, imagino que meus tênis tão meticulosamente lavados...
...dois dias antes estarão de novo cheios de lama em mais alguns passos. A minha busca por sabedoria, paz de espírito e consciência das realidades visível e invisível já se transformou em rotina e não dá mais resultado. Quando tinha 22 anos, comecei a me dedicar ao aprendizado da magia. Passei por diversos caminhos, andei à beira do abismo durante anos importantes, escorreguei e caí, desisti e voltei. Imaginava que, quando chegasse aos 59 anos, estaria perto do paraíso e da tranquilidade absoluta..."
(O Aleph, de Paulo Coelho)
Machado de Assis* escreveu:
Algum tempo hesitei se devia abrir estas Memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nacimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no introito, mas no cabo; diferença radical entre este livro e o Pentateuco.
(Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis)
Não há como comprarar Machado de Assis com Paulo Coelho? Então, compare com Lourenço Mutarelli.
O metrô está vazio. Já passa das onze. Júnior carrega a expressão da desilusão e uma pequena mala. Respira com dificuldade pela boca. Seu rosto parece uma máscara. A máscara do desengano. Ou do engano? O maquinista ou uma gravação anuncia a próxima estação. Júnior nunca conseguiu descobrir quem anuncia as estações. Levanta com dificuldade e salta. Caminha de maneira letárgica, mecânica, como se algo o empurrasse, com esforço. Carrega uma pequena mala e quarenta e três anos mal-dormidos. As escadas rolantes já foram desligadas. Júnior escolhe a escada. A cada passo parece brotar um novo degrau. Júnior sobe metade da escadaria e desiste. Senta num degrau. Respira pela boca. Rapidamente surge um segurança e adverte que não é permitido sentar na escada. Júnior estende a mão. O homem, vestido de preto, o ajuda. Júnior termina a escalada com o auxílio do corrimão. Júnior se arrasta por uma rua deserta e mal iluminada. Três garotos surgem das sombras e caminham silenciosos atrás de seus passos. Disparam num repente, derrubando Júnior no meio-fio, e fogem levando a bagagem. Júnior caído na sarjeta, numa água empoçada, com o supercílio aberto. Júnior desata a chorar. Chora sem som e sem lágrima.
(A Arte de Produzir Efeito sem Causa, de Lourenço Mutarelli)
O problema não é uma história ruim, pois até histórias ruins ficam boas, se bem escritas. O problema é não saber trabalhar com as palavras.
* Apesar de reconhecer que ele sim é o MAGO, Machado de Assis não está na lista dos meus escritores favoritos.
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