terça-feira, 10 de agosto de 2010

R.I.P. and instead of crying, dance!

Sempre que se fala em morte, todo mundo se encolhe todo, solta um "Ai, credo!", muda de assunto, desconversa, principalmente quando a morte de que se trata é a própria morte.

Outro dia, conversando com minha mãe, ela disse que queria que no velório dela tocasse o hino "Amazing Grace". Composto pelo inglês John Newton, essa tradicional música protestante costuma ser tocada em velórios nos Estados Unidos e já foi interpretada por Elvis Presley, Aretha Franklin e Mahalia Jackson, entre outros artistas. Fato é que a música é muito bonita, mas é o tipo de música feita pra fazer você chorar, ainda mais num velório, ambiente em que tudo colabora pra isso.

Eu, pelo contrário, prefiro a parte musical do meu velório bem mais animada, de preferência com uma música brasileira divertida. E estou até pensando em deixar pronta um set list pro meu velório (depois posto aqui) - pra facilitar as coisas, né?!

Enquanto não defino a trilha sonora, aproveitando o tema, pensei em algumas frases para a minha lápide e aqui estão elas:

1. "Já era!" - Até porque, depois de enterrada, já era mesmo!

2. "Fui!" - É... Não preciso explicar.

3. "See you on the other side!" - Eu não sei se tem o "outro lado", mas se tiver, de uma forma ou de outra, todo mundo vai se ver por lá. Ah, isso é plágio do Ozzy, mas tá valendo.

4. "Nós que aqui estamos por vós esperamos." - Essa é clássica. Nome de filme, mas acho que todo mundo gostaria de colocar em uma lápide.

5. "Se precisar de alguma coisa, pergunte ao pó." - Além de piada de drogado, pode sevir de gancho pra lápide. Sabe aquele negócio "Do pó viestes, ao pó voltarás"?

6. "O bate-papo está desativado." - Em tempos de globalização, vai saber! Na mesma linha, poderia ter uma "Virei Spam!", "Caso queira falar comigo, recupere os itens da lixeira.", "Potira sai da sala.", etc.

7. "Potira Cunha parece estar Offline. As mensagens que você enviar serão entregues quando ela entrar." - Eu não sei onde posso entrar, mas talvez seja quando entrar no corpo de alguém, no corpo de seu cachorro, enfim, quando reencarnar.

8. "Zed's dead, baby.. Zed's dead". - Tarantino, sempre.

9. "I'm gonna Kill Bill." - Tarantino, sempre de novo.

10. Distraída pra morte, eu estava sim. Distraída pra morte, eu estava sim... - Porque é sempre bom ouvir Otto.

Mas acho que o melhor texto de lápide também poderia vir em forma de música (?), de poesia (?), vide a canção "Hora da partida", do finado (que ironia!) grupo Terra Samba. Atenção especial aos primeiros versos:

Está chegando a hora
É hora de partir
Me dá uma dor no peito
Ter que ir embora e te deixar aqui
Mas eu já resolvi
sozinho eu não vou
Pois eu só vou embora
Se comigo você for
Mas eu já resolvi
sozinho eu não vou
Pois eu só vou embora
Se comigo você for, e lá vou eu
Lá vou eu, meu amor
Mas não vou só




Enfim, que o funeral seja pelo menos divertido e tenha uma trilha sonora assim...

A quoi ça sert l'amour?




En somme, si j'ai compris,
Sans amour dans la vie,
Sans ses joies, ses chagrins,
On a vécu pour rien.

Mais oui! Regarde-moi!
A chaque fois j'y crois
Et j'y croirai toujours...
Ça sert à ça, l'amour!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

100 anos de Adoniran Barbosa

Flip(per) em Paraty

No fim de tarde de sexta:

- Já vai?
- Já, vou viajar...

(...)

- Tchau, pessoal.

(...)

- Pra onde ele vai?
- Pra Paraty, vai pra Flipper. Sabe, a Flipper, que tem um monte de livros?!



Faz sentido: golfinhos, mar, Paraty...

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Só pra quem é pião de vida loka

Trilha Sonora do Gueto (T$G) é um grupo de rap formado desde 1998 no Capão Redondo em São Paulo. Formado por Cascão, Bokão, X-Bacon, Karatê, DJ Pudim e Véio, o grupo se destaca dos outros pela linguagem que utiliza em suas músicas, cheia de gírias, que não é qualquer um que entende, compondo uma verdadeira trilha sonora do gueto (mas só pra quem é!).

A música "Pião de Vida Loka" (assim mesmo!) fez parte da trilha da Turma do Gueto, antiga novelinha da Record, com Netinho de Paula, e chegou a ser indicada na categoria Melhor Video de Rap em 2004, mas é claro que não ganhou.



* Material rico pra linguista, não?

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Sonhei...

Há algum tempo, sonhei que eu namorava o Miranda e estava ouvindo um de seus milhares de vinis e jantando na casa dele.




Ontem, sonhei que minha mãe estava namorando o Chuck Norris. E eu, tão sem noção, ao invés de falar: "Mãe, é o Chuck Norris!", só falava: "Mãe, mas ele é tão branco...".



Melhor parar de ver TV. Daqui a pouco, vou sonhar que minha vó tá namorando o Silvio Santos e eu tô falando os números sorteados na TeleSena de Natal!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

O outro mundo de Xicão Xukuru



O Outro Mundo De Xicão Xukuru
Mundo Livre S/A
(Letra e Música: Fred 04)

Numa faixa de terra
de 28 mil hectares,
localizada no agreste pernambucano,
habitam cerca de 8 mil seres da espécie humana

Eles não querem vingança
eles só querem justiça
querem punição para os covardes
assassinos de seu bravo Cacique Xicão
distribuídos por 23 aldeias,
permanecem resistindo
após quase 500 anos
de massacres e perseguições
reivindicando nada menos
que o reconhecimento e a demarcação
da terra sagrada que herdaram
de seus ancestrais

"Ele não vai ser enterrado,
ele não vai ser sepultado
Ele vai ser plantado,
para que dele nasçam novos guerreiros"

As autoridades policiais tinham pleno conhecimento
dos atentados e das ameaças
Ainda assim nada fizeram para evitar
mais este crime,
muito conveniente
para os latifundiários da região.

Comenta-se que alguns deles
têm parentesco com certos figurões
da república branca
Entre eles um apelidado pelos federais
de "Cacique Marcão"

"Ele não vai ser enterrado,
ele não vai ser sepultado
Ele vai ser plantado,
para que dele nasçam novos guerreiros,
minha mãe natureza.
Ele vai ser plantado assim como vivia,
debaixo das vossas sombras,
para que de vós nasçam novos guerreiros,
minha mãe natureza, que a nossa luta não pára".



Incrustados em pequenos pedaços de terra espalhados ao longo da Serra do Ororubá, em Pernambuco, vivem remanescentes do grupo indígena dos Xukurus.

No passado, o local de maior concentração de indígenas dessa tribo foi Cimbres. O grupo Xukuru esteve na região desde aproximadamente 1690, formando uma das maiores propriedades indígenas da região e, desde então, por não ter seus limites demarcados, foi motivo de brigas frequentes.

A ldeia teve suas terras invadidas e arrendadas por famílias tradicionais da região, fazendeiros e autoridades que, por acharem que no local já não havia mais tantos índios como antes, começaram a reividicar ao Governo a extinção da reserva Xukuru.

Foi assim que, em 1879, decretou-se oficialmente o fim do Aldeamento de Cimbres, favorecendo os invasores das terras e fazendo com que os Xukurus ficassem vagando ao longo da serra, sendo alvo de perseguições, sem ter uma área definida para reunirem seus remanescentes.

Vivendo hoje espalhadas em aproximadamente 1/2 hectare, apenas 160 famílias desse povo possui terra própria e a maioria se mantém graças à agricultura de substistência, mantida de forma rudimentar. Os indígenas recebem duas vezes por ano a visita de dois médicos e um dentista, mas passam o restante do tempo expostos a gripes e verminoses, contando com o apoio de apenas uma enfermeira e uma farmácia, sob responsabilidade da Funai, que ajudam em casos de emergência e partos. No que diz respeito à educação, a Funai mantém duas salas de aula em duas vilas em que estudam índios de sete a 14 anos, enquanto os outros, fora dessa faixa etária, ficam de fora.

Foi no fim dos anos 1980 que teve início um movimento em favor dos direitos dos Xukurus a fim de que retomassem seu território tradicional, recoupando áreas ocupadas por posseiros. Apoiados por povos indígenas de outros locais, os Xukurus denunciavam a violência, miséria e fome em que viviam graças à invasão de suas terras. Por outro lado, os fazendeiros afirmavam que ali não viviam mais índios "puros", mas caboclos.

Francisco de Assis Araújo, o cacique Xicão Xucuru, foi um dos líderes do movimento. Por ser uma figura expressiva e de fácil apelo para os indígenas, levou os Xukuru a pressionarem a Funai e os órgãos públicos a fim de obter a demarcação das terras a eles destinadas, numa vida de muitas lutas e mortes.

Preocupado em manter e dar novamente significado à identidade cultural da nação Xukuru, Xicão passou a ser jurado de morte graças a sua luta incessante. Assim, no dia 20 de maio de 1998, foi assassinado a mando de fazendeiros da região, mas sua luta continuou por meio da liderança de sua esposa Zenilda e de seus filhos Marquinhos.

20 de maio é hoje data símbolo da luta dos povos indígenas no Nordeste, luta que ainda continua mantendo vivo o pensamento de Xicão Xukuru: "Nós podemos fazer a nossa viagem eterna, mas nossos filhos e netos precisam viver nesta terra, e temos que prepará-los para dar este seguimento."




Mais em: http://www.nacaocultural.pe.gov.br/documentario-xicao-xucuru