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terça-feira, 30 de agosto de 2011

A Serafina e o Criolo

Aí, a revista Serafina, publicada pela Folha de S. Paulo, trouxe estampada na capa o rapper do momento, o Criolo, e deu a ele uma matéria de seis páginas, cheia de fotos produzidas e...

Quem me conhece sabe que eu tenho certa implicância com a forma como o rap é tratado. Explico: ninguém gosta de rap, mas de repente um cara/um grupo faz um rap com um tom um pouco mais pop e, pronto, nego sai por aí dizendo que adora rap, que é do movimento. Foi por causa de toda essa minha "implicância" e por gostar do som do Criolo (desde a época em que ele era Criolo Doido) que eu resolvi ler a matéria da Serafina.

Bom, a matéria foi escrita por uma pessoa que, provavelmente, nunca tenha ouvido rap na vida. Talvez não tenha ouvido nem o aclamado "Nó na Orelha" do Criolo. E, como todo bom jornalista, não se preocupou em pesquisar muito além da Wikipedia.

O texto começa até bem, falando sobre uma festa na Hole - balada conhecida de quem curte rap, reggae, dancehall -, porém, a certa altura do texto, a jornalista escreve:

Pensa um pouco e continua. "Recentemente, subi ao palco com GOG, Dexter e Edi Rock. Foi outra grande honra. Tenho sido abençoado", afirma, falando de seus encontros com grandes nomes do rap, os dois últimos integrantes do Racionais.


Pausa: Dexter nunca foi dos Racionais. Dexter era parte da dupla 509E, que agora segue em carreira solo. Quanto ao brasiliense GOG, este merecia uma referência também, como a dada sobre Edi Rock, já que foi um dos pioneiros do rap nacional.

Lá pelas tantas, aparece perdido no texto uma citação ao Hole como HoLLe. Ops, erro de digitação ou total falta de conhecimento mesmo? Não sei.

Outro parágrafo diz:


A faixa é um dos hits de "Nó na Orelha", álbum lançado neste ano e apontado como pioneiro por misturar o rap a ritmos como reggae, bolero e samba.


Pausa 2: Desculpe, eu gosto muito do Criolo, mas o álbum não é pioneiro. Jair Rodrigues já misturou o samba com o rap há muito tempo com o seu "Deixa que digam, que pensem, que falem...", assim como Marcelo D2 e Rappin' Hood que, bem ou mal, já misturaram sons.

Mas os parágrafos que mais me chamaram a atenção foram estes:

Criolo tem apresentado dois formatos de show. Uma versão tem banda poderosa, com nomes como o violonista revelação Kiko Dinucci, além de bateria, piano, baixo, metais e duas backing vocals. A outra aposta na formação clássica do hip hop: DJ e MC.
O público fiel do rap tem assim a chance de ver um show com estrutura caprichada, enquanto os novos fãs, que acabam de conhecer o universo dos rimadores, podem sentir a pancada de ouvir um rapper disparar suas letras apoiado só pelas batidas e pelo coro de aliados.


Ter dois formatos de show é ótimo e eu acredito que isso ocorra para que a apresentação possa ser adaptada a qualquer local e a qualquer bolso.

O que me intriga é o fato de a jornalista escrever que "O público fiel do rap tem assim a chance de ver um show com estrutura caprichada, enquanto os novos fãs (...) podem sentir a pancada de ouvir um rapper disparar suas letras apoiado só pelas batidas e pelo coro", peraí: público de rap também é público de shows bem estruturados, não é porque gosta de rap que só vê show no bar do Zé Batidão. Por outro lado, é difícil acreditar que estes "novos fãs" frequentem o "universo dos rimadores", afinal eles foram conquistados pelo fato de ser um rap que não parece rap, não é?

A matéria traz ainda um box com o título "Acredite nesse 'hype'(citação à música do Public Enemy, que nem vou perder tempo comentando)". É, Criolo virou "hype" na matéria da Serafina.

Ali, a editora de um dos cadernos da Folha afirma sobre o rap:

Enquanto o rap é fonte primordial da música pop norte-americana há pelo menos dez anos, o Brasil só agora flerta com a possibilidade de democratizá-lo. E Criolo faz parte desse movimento ao criar uma ponte entre periferia e centro, pretos e brancos, manos e hipsters.


O rap existe como "fonte primordial da música pop norte-americana" há pelo menos 20 anos, não 10.

Não há como comparar o rap norte-americano com o rap feito no Brasil. Enquanto lá predomina os rappers do bling-bling e do pimp, aqui o rap é música de caráter social e, por isso, nunca foi democratizado.

A tal "possibilidade" de democratização ocorre porque Criolo fez uma música falando de amor em São Paulo em ritmo que se distancia do rap, então isso não é democratizar o rap, não é?

O rap sempre esteve aí, há mais de 20 anos, a periferia, pretos, brancos, manos sempre estiveram aí - já disse Mano Brown "O mundo é diferente da ponte pra cá" - quer dizer, a ponte sempre esteve aí, não foi criada, mas ninguém nunca quis atravessar. É fácil gostar de Criolo falando de amor em ritmo de bolero num show no Auditório do Ibirapuera. Queria ver gostar de Criolo cantando sobre o Grajaú numa rinha de MCs no Vale do Anhangabaú ou numa comunidade da Leste.

No finalzinho do texto, a autora ainda diz:

O artista usa a linguagem cifrada dos MCs. Mas, quando temas característicos do rap nacional, como o crime e a desigualdade, dividem estrofes com a solidão na metrópole e o amor não-correspondido, fica fácil penetrar no seu dialeto. O discurso se torna universal.


Quer dizer que, no final, o rap do Criolo só se aproxima do nosso discurso quando fala da solidão na metrópole e do amor não correspondido, só assim se torna universal. Como se o crime e a desigualdade não fizessem parte desse "universo". Estranho... E "linguagem cifrada dos MCs", "dialeto" é o caralho!

Enfim, são só opiniões e comentários sobre o que eu li. Eu continuo gostando de Criolo (Doido) e de rap... Mas queria ver nego gostar desse Criolo Doido.



quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Mais uma Maria…

Quando se fala em Modernismo no Brasil, pensamos em: Semana de 22, Tarsila, Anita, Monteiro Lobato, Oswald de Andrade…

E Maria Martins? Alguém já ouviu falar? Não, ela não foi mais uma dona Maria dessas que ficavam bordando e que ficaram chocadas com o Modernismo brasileiro, muito pelo contrário…

Maria de Lourdes Faria Alves Martins, Maria Martins foi uma artista à frente de sua época.

Nascida em 1894 em Minas Gerais, a escultora começou a produzir num período um pouco posterior ao de Tarsila, mas nunca obteve muito reconhecimento no Brasil – tendo feito oito individuais nos Estados Unidos e uma em Paris, contra apenas três no Brasil.

Em seu trabalho, de tendência surrealista, a artista olha para o Brasil com uma visão de fora – um olhar parecido com o dos poetas românticos brasileiros, talvez -, recorrendo muito ao universo mítico do país. Assim, o Brasil que busca retratar é um país mais exótico, para estrangeiros, uma espécie de idealização, apresentada por peças de forma orgânica livres.



(Não te Esqueças Nunca que Eu Venho dos Trópicos (1942), em bronze)


Maria Martins, por meio de esculturas informes em bronze, madeira e outros materiais, recupera os mitos da Amazônia e esses mitos, de certa forma, simbolizam o Brasil. Afinal, que imagem pré-construída dá ideia de totalidade? O mito, que nada mais é do que uma tentativa de explicação do mundo.


(Cobra Grande (1942), em bronze)


A artista faleceu em 1973 no Rio de Janeiro.


(A Soma de Nossos Dias (1954 - 1955), em sermolite e estanho)


“O mundo é complicado e triste, é quase impossível que as pessoas se compreendam”. (Maria Martins)

* Fofoca artística: Maria Martins manteve por algum tempo um romance às escondidas com Marcel Duchamp.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Conexão PE

"As falas que estou cantando agora, são desenhos que guardei, que tracei com tintas coloridas, que pintei pra você."




Quem ouve músicas como Meu Coração de Arnaldo Antunes, muitas vezes não faz nem ideia de que um de seus autores é o pernambucano Ortinho.

Ouvi Ortinho pela primeira vez num show da Nação Zumbi, em comemoração aos 15 anos de "Da Lama ao Caos", parte do Conexão PE, em setembro de 2009, e, desde então, não consegui mais parar de ouvir.

Wharton Coelho, que já fez parte da banda Querosene Jacaré (mais uma que vale a pena ouvir!), tem dois álbuns gravados, "Somos" e "Ilha do Destino", e acaba de lançar em São Paulo o sensacional "Herói Trancado", que conta com a participação de Jorge du Peixe, além de artistas como Vitor Araújo.

Sua música tem um registro único, misturando maracatu, rock, repente, ciranda, entre outros ritmos, criando músicas que mostram forte influência de Lia de Itamaracá (ouçam!!!), Tom Zé (nem precisa comentar), Júnio Barreto (ouçam!!!), entre outros artistas nordestinos.

Autor da música Sangue de Bairro, junto com Chico Science, criador da trilha do filme "Baile Perfumado", Ortinho infelizmente ainda permanece um pouco desconhecido do público aqui de São Paulo, mesmo fazendo shows pelo menos uma vez por ano por aqui.

Num clima meio iê-iê-iê, Ortinho faz rock clássico, com guitarra, baixo e bateria (e muito da loucura de Ortinho), mas ao mesmo tempo suave, com metais, teclados, sem barulhos, com letras bem escritas e, às vezes, com um suíngue meio brega. Enfim, produzido por Yuri Queiroga (sobrinho de Lula Queiroga), "Herói Trancado" traz canções tão boas quanto Avenida Norte e Cirandagem, porém com um toque a mais.



"Saudades do Mundo", com Jorge du Peixe e Ortinho, do álbum "Herói Trancado"

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

E viva o Saci! (mais uma vez, repetindo o discurso!)

Pra não perder o costume...

Todo ano, desde 2008, na época do Dia das Bruxas, eu posto esse texto porque não me conformo com a comemoração dessa data aqui no Brasil!

Esse ano não vai ser diferente.

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Na semana em que os americanos comemoram o Dia das bruxas, vi muita gente furando abóboras pra colocar velas dentro, crianças indo fantasiadas de monstrinhos para a escola falando ‘Travessura ou gostosura?’, uma tradução tosca do Trick or treat? e fazendo outras bizarrices do tipo. Aí eu me pergunto: por que a gente comemora o Halloween e esquece do Dia do folclore? Ou por que não comemoramos o Dia dos mortos como os mexicanos fazem, já que tem festinhas com docinhos de açúcar em forma de caveira? Travessura por travessura, prefiro as travessuras do Saci. Gostosura por gostosura, mesmo não sendo católica (nem do candomblé), fico com a Festa de São Cosme e Damião.

Comemorado em 22 de agosto, o dia do Folclore celebra os mitos e lendas populares, assim como o Halloween. Ou vai dizer que bruxas, fantasmas, zumbis, maldições de gato preto e outras coisas do tipo não são lendas populares?

Por que pedir doce no Halloween se no dia 27 de setembro, dia da festa de São Cosme e Damião, as crianças (e adultos) não precisam nem pedir pra ganhar? No Candomblé, a lenda de Cosme e Damião diz que eram gêmeos que teriam a capacidade de agilizar qualquer pedido se lhes fossem dadas algumas ‘gostosuras’, por isso, se você for a qualquer terreiro, igreja ou grupo de cultura afro-brasileira encontrará uma mesa repleta de suspiros, pés-de-moleque e outras coisas gostosas para serem comidas à vontade, independente de sua religião e raça.

Em época de crise, furar abóbora pra colocar vela dentro é desperdício, não?! Além de deixar sua casa cheirando a abóbora queimada (o que não é nada agradável, acreditem já tive o prazer de sentir esse cheiro numa escola de inglês para crianças!), no final, a abóbora está cheia de parafina e você pensando que poderia ter feito algum prato muito gostoso com ela.

Até agora, nada a favor do Halloween…

Se no que diz respeito a doces, prefiro as travessuras de São Cosme e Damião, no que diz respeito a furar abóbora, prefiro cozinhá-la, no que se refere a lendas e mitos, com certeza acho que as nossas são as melhores. Não são simplesmente mortos-vivos, maldições sem sentido culpando animais inocentes; são histórias completas, dignas da mitologia grega, tão cheias de fantasia e realidade que conseguem fazer com que minha vó de 85 anos não saia de casa nem para ver a lua, coisa rara em São Paulo, quando estamos no sítio.

Alguém conhece a Curupira? Não?! Que pena, em tempos de problemas com o contrabando de madeira, ela é muito útil, pois a habitante das matas é a responsável também por protegê-las; isso inclui a proteção aos animais das matas. Não é à-toa que tem os cabelos avermelhados e os pés voltados para trás, tudo isso é tática para assustar caçadores e lenhadores.

E a mula-sem-cabeça? Mais uma que além de ser uma personagem, possui uma história, moralizante inclusive. Padre não pode casar, certo? É pecado, certo? Padre também não pode pecar, certo? Quem paga o pato? A noiva, que toda quinta-feira se transforma em mula-sem-cabeça e sai pelo campo assustando todo mundo e soltando fogo pelo pescoço.

Mas, sem dúvida, o melhor de todos os personagens do folclore brasileiro é o saci pererê. Ele não é simplesmente um lençol branco com dois buracos que olha pra você e diz ‘Buuhhh!!’; não, ele tem todo um estilo.

O menino de uma perna só (a outra foi perdida jogando capoeira) usa gorro vermelho e fuma cachimbo, carregando em si valores típicos da cultura africana (é interessante como algumas coisas dessa cultura são preservadas por nós brasileiros e já foram esquecidas pelos próprios africanos).

O melhor mesmo é que o saci é muito o estereótipo (repito, o estereótipo) do brasileiro: divertido, brincalhão, gosta de aprontar travessuras e, mais interessante, não quer prejudicar ninguém com suas brincadeiras, diferente das bruxas, monstrinhos, fantasmas.

Tem mais um monte de lenda legal, mas aí, cada um procura a sua.

Todo esse discurso é pra dizer o mais importante: pra quem não sabe, amanhã, dia 31 de outubro não é Halloween, é o Dia do Saci!! Sim, isso mesmo!

Ao invés de se fantasiar de Morticia Addams, corra atrás de capturar seus sacis neste dia. Como? É simples, você não precisa colocar lençol branco na cabeça, nem se vestir todo de preto, com dentadura de vampiro de plástico, e sair incomodando as pessoas que já encontram muita gente pedindo coisas pelas ruas! Quando vir um moinho de vento no chão, jogue uma peneira sobre ele, pois ali estará o saci. Com cuidado, levante a peneira, tire o gorrinho da cabeça dele e coloque-o numa garrafa!

Desculpem os mais sensíveis, mas... Halloween é o caralho, e viva o saci!!

P.S.: Quem quiser pode se associar à Sociedade dos Observadores de Saci (SOSACI): http://www.sosaci.org




Sa-sa-sa-sa-sa-saci...

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Sobre o VMB

Saudades do tempo em que o VMB chamava Video Music Awards Brasil, premiava artistas de verdade, não era uma superprodução, mas tinah shows dignos como estes...



quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Votar?

Sempre morei no mesmo lugar, perto de um grande colégio em São Paulo que, em época de eleição, é usado para votação. Graças a essa proximidade, costumava gostar muito desse período.

Era sagrado o almoço na casa da tia Léa (que mora na rua perpendicular à minha) e a saída no domingo de manhã junto com minha mãe, minha vó, meu avô e minhas tias para a votação.

Para o meu avô e minha avó, aquilo sempre foi muito importante. Mesmo quando estava de cama, meu avô queria que dessemos um jeito para que ele pudesse votar. Minha vó, com quase 90 anos, ainda sobe três andares de escada para votar.

Pra mim, eleição sempre foi uma festa. Eu ia mesmo pra pegr papelzinho, brindes, bandeirinhas, bonés, camisetas, adesivos, bottons, tudo, e de qualquer candidato. Óbvio que, como eu sempre fui do contra, sempre dizia que se votasse, votaria no Maluf e, por isso, seus flyers eram meus preferidos.

Toda essa festa durou até os 18 anos, quando disseram que eu teria que votar (sim, eu nem cogitei de tirar meu título aos 16!). Meu avô estava bem mais empolgado do que eu em relação a isso, mas já que eu teria que tirar de qualquer maneira aquele título, lá fomos nós para o TRE.

Pensando que estava tudo resolvido, agora era só aguardar o momento de votar. Mas infelizmente, eu, que já estava puta por ser obrigada a votar, tive uma surpresa ainda mais desagradável antes mesmo dos resultados da eleição - que sempre são desagradáveis, mas nunca surpreendem.

Sim, eu fui chamada para ser mesária assim que tirei meu título. Quer dizer: eu nunca tinha votado e já ia ser mesária.

Foi assim que meus dias de festa eleitoral acabaram e, por cinco anos, passei a ficar das 7h às 17h30 dentro de um colégio eleitoral, ganhando apenas um vale-refeição de sete reais e dois dias de folga - que poucas vezes foram aproveitados.

Hoje, não preciso mais trabalhar em dia de votação, mas também já não me empolgo mais com os papéis, flyers, camisetas, bonés, afinal são os mesmos candidatos que eu vejo há mais de 20 anos. O jeito agora é cumprir a obrigação (se é obrigatório, cadê a democracia?!) e escolhar votar no que seja menos pior, no que seja diferente, no que não tem chance, mas se tivesse poderia dar certo...


sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Quem não tem colírio usa óculos escuros

E aí que a MTV, junto com a Capricho, criou o tal de "Colírio Capricho". A ideia era reunir os meninos mais bonitos, "fofos" e talentosos (?) do Brasil numa espécie de reality show.

Durante um mês, mais ou menos, os dez meninos eram desafiados a aprender a tocar, cantar e agir como verdadeiros "príncipes" a la Justin Bieber. Nessa semana, o programa acabou, não sei quem ganhou, nem o que ganhou, só sei que um deles tentou se suicidar.

Enfim, fiquei pensando nesses "colírios", vi que não são tão "colírio" assim quando o assunto ultrapassa a carinha bonita e cheguei à conclusão de que certo estava Raul Seixas (também fora da categoria "colírio") ao dizer "Quem não tem colírio usa óculos escuros". De que adianta um rostinho bonito, o cabelinho do Justin Bieber - ecovado, sem nem um fio fora do lugar, lisinho -, o jeitinho de príncipe?




Troco fácil o colírio pelos óculos escuro, deixando de lado a aparência para encarar, ainda que de óculos escuros embaçados, o charme e a inteligência de muitos "mal diagramados" (homens de verdade, sem medo de tomar choque ao trocar uma lâmpada, sem creminhos Anna Pegova, nem depilação a laser!) que existem por aí. Até porque, com certeza, por trás do cabelo bagunçado, da barba por fazer, da calça caída, da barriga caída, dos óculos fundo de garrafa..., sempre há um senso de humor incrível, um pouco de cultura, bom papo...

Agora já pensou a casa dos Colírios Capricho habitada por seres encantadores e roots, como: Xico Sá, Javier Bardem, Lenine, Jorge du Peixe, Fred 04, Samuel Beckett, China, Otto, Angeli e Lourenço Mutarelli. Seria difícil eliminar alguém, não?

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Só pra quem é pião de vida loka

Trilha Sonora do Gueto (T$G) é um grupo de rap formado desde 1998 no Capão Redondo em São Paulo. Formado por Cascão, Bokão, X-Bacon, Karatê, DJ Pudim e Véio, o grupo se destaca dos outros pela linguagem que utiliza em suas músicas, cheia de gírias, que não é qualquer um que entende, compondo uma verdadeira trilha sonora do gueto (mas só pra quem é!).

A música "Pião de Vida Loka" (assim mesmo!) fez parte da trilha da Turma do Gueto, antiga novelinha da Record, com Netinho de Paula, e chegou a ser indicada na categoria Melhor Video de Rap em 2004, mas é claro que não ganhou.



* Material rico pra linguista, não?

terça-feira, 3 de agosto de 2010

O outro mundo de Xicão Xukuru



O Outro Mundo De Xicão Xukuru
Mundo Livre S/A
(Letra e Música: Fred 04)

Numa faixa de terra
de 28 mil hectares,
localizada no agreste pernambucano,
habitam cerca de 8 mil seres da espécie humana

Eles não querem vingança
eles só querem justiça
querem punição para os covardes
assassinos de seu bravo Cacique Xicão
distribuídos por 23 aldeias,
permanecem resistindo
após quase 500 anos
de massacres e perseguições
reivindicando nada menos
que o reconhecimento e a demarcação
da terra sagrada que herdaram
de seus ancestrais

"Ele não vai ser enterrado,
ele não vai ser sepultado
Ele vai ser plantado,
para que dele nasçam novos guerreiros"

As autoridades policiais tinham pleno conhecimento
dos atentados e das ameaças
Ainda assim nada fizeram para evitar
mais este crime,
muito conveniente
para os latifundiários da região.

Comenta-se que alguns deles
têm parentesco com certos figurões
da república branca
Entre eles um apelidado pelos federais
de "Cacique Marcão"

"Ele não vai ser enterrado,
ele não vai ser sepultado
Ele vai ser plantado,
para que dele nasçam novos guerreiros,
minha mãe natureza.
Ele vai ser plantado assim como vivia,
debaixo das vossas sombras,
para que de vós nasçam novos guerreiros,
minha mãe natureza, que a nossa luta não pára".



Incrustados em pequenos pedaços de terra espalhados ao longo da Serra do Ororubá, em Pernambuco, vivem remanescentes do grupo indígena dos Xukurus.

No passado, o local de maior concentração de indígenas dessa tribo foi Cimbres. O grupo Xukuru esteve na região desde aproximadamente 1690, formando uma das maiores propriedades indígenas da região e, desde então, por não ter seus limites demarcados, foi motivo de brigas frequentes.

A ldeia teve suas terras invadidas e arrendadas por famílias tradicionais da região, fazendeiros e autoridades que, por acharem que no local já não havia mais tantos índios como antes, começaram a reividicar ao Governo a extinção da reserva Xukuru.

Foi assim que, em 1879, decretou-se oficialmente o fim do Aldeamento de Cimbres, favorecendo os invasores das terras e fazendo com que os Xukurus ficassem vagando ao longo da serra, sendo alvo de perseguições, sem ter uma área definida para reunirem seus remanescentes.

Vivendo hoje espalhadas em aproximadamente 1/2 hectare, apenas 160 famílias desse povo possui terra própria e a maioria se mantém graças à agricultura de substistência, mantida de forma rudimentar. Os indígenas recebem duas vezes por ano a visita de dois médicos e um dentista, mas passam o restante do tempo expostos a gripes e verminoses, contando com o apoio de apenas uma enfermeira e uma farmácia, sob responsabilidade da Funai, que ajudam em casos de emergência e partos. No que diz respeito à educação, a Funai mantém duas salas de aula em duas vilas em que estudam índios de sete a 14 anos, enquanto os outros, fora dessa faixa etária, ficam de fora.

Foi no fim dos anos 1980 que teve início um movimento em favor dos direitos dos Xukurus a fim de que retomassem seu território tradicional, recoupando áreas ocupadas por posseiros. Apoiados por povos indígenas de outros locais, os Xukurus denunciavam a violência, miséria e fome em que viviam graças à invasão de suas terras. Por outro lado, os fazendeiros afirmavam que ali não viviam mais índios "puros", mas caboclos.

Francisco de Assis Araújo, o cacique Xicão Xucuru, foi um dos líderes do movimento. Por ser uma figura expressiva e de fácil apelo para os indígenas, levou os Xukuru a pressionarem a Funai e os órgãos públicos a fim de obter a demarcação das terras a eles destinadas, numa vida de muitas lutas e mortes.

Preocupado em manter e dar novamente significado à identidade cultural da nação Xukuru, Xicão passou a ser jurado de morte graças a sua luta incessante. Assim, no dia 20 de maio de 1998, foi assassinado a mando de fazendeiros da região, mas sua luta continuou por meio da liderança de sua esposa Zenilda e de seus filhos Marquinhos.

20 de maio é hoje data símbolo da luta dos povos indígenas no Nordeste, luta que ainda continua mantendo vivo o pensamento de Xicão Xukuru: "Nós podemos fazer a nossa viagem eterna, mas nossos filhos e netos precisam viver nesta terra, e temos que prepará-los para dar este seguimento."




Mais em: http://www.nacaocultural.pe.gov.br/documentario-xicao-xucuru

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Brasil, como diz a propaganda, um time de guerreiros!

Porque na Copa, a gente tem que se virar, se espremer, suar a camisa, cair, levantar, chorar, lutar pra sobrevier ao mata-mata!


Pessoas recolhem restos de alimentos enlameados e estragados em supermercado em PE


Porque ser o camisa 10 não é pra qualquer um...


Rua da cidade de Barreiros, interior de Pernambuco, totalmente destruida apos a forte chuva que atigiu o Estado na semana passada



Rua da cidade de Barreiros, interior de Pernambuco, destruída pelas fortes chuvas que atingiram a região


* Crédito das fotos: Danilo Verpa/Folhapress

sexta-feira, 19 de março de 2010

Monsueto e Virna Lisi

Monsueto foi cantor, compositor e instrumentista. Nascido no Rio de Janeiro, chegou a cantar com Herivelto Martins (sim, o da dalva de Oliveira) e atuou em filmes, como "Treze cadeiras", de 1957.

É dele o sucesso gravado por Linda Batista no carnaval de 1962, "Me deixa em paz". Aqui, uma versão com Seu Jorge (pra lá de Bagdá!) e Teresa Cristina:



Dele também é a canção "Eu quero essa mulher", samba de 1961, que, quem ouviu rock nacional nos anos 1990 deve ter ouvido com a banda Virna Lisi.



Virna Lisi e Monsueto:

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Ah, o Carnaval....

Definitivamente, a criatividade baiana (ou nordestina?) é invejável e se supera a cada ano!

Todo ano, na época do Carnaval, surge um novo ritmo, uma nova dança, uma nova música (?)...

Lembro quando era pequena da primeira febre musical que presenciei: a lambada. Na época, sem o menor discernimento acerca do que era bom ou não (afinal, quem via Xuxa não podia ter muita noção de qualidade mesmo!), eu me divertia ouvindo o grupo Kaoma cantar "Chorando se foi quem um dia só me fez chorar" e, claro, o que eu mais queria era ter uma saia igual a da menina que dançava no clipe e sair rodopiando por aí. Apesar de grande fã do grupo Kaoma - do tipo que tinha até uma incrível caneta com uma estrela na ponta que tocava a música (só queria saber quem me deu isso!), adorava o rei da lambada Beto Barbosa cantando "Adocica, meu amor, a minha vida...".

Fato é que o tempo passou, o gosto melhorou e muito, mas os novos ritmos continuaram a surgir incessantemente a cada Carnaval.

Eu não sei de onde eles vinham, mas eram um misto de índios amazônicos com uma versão pré-Carla Perez: Carrapicho. Quem não se lembra do "Tic-tic-tic-ta", hit que invadiu não só as rádios brasileiras, como também as europeias, levando as belezas do Brasil (lembram-se do vocalista?! hahahaha) ao mundo.

Não lembro se foi antes ou depois do Carrapicho, mas sei que houve uma fase em que a "onda" era... a "Dança de qualquer coisa": dança da manivela, dança do bambolê, dança da garrafa, dança da latinha, dança da bundinha... Era tanta coreografia, tanta coisa que tenho certeza que se alguém deve ter dançado a dança da garrafinha na bundinha (sem trocadalhos!)!

O Tchan acabou, a Cia. do pagode acabou, os outros sumiram.... e veio o funk! Aí, a baixaria tava instalada. Prefiro nem comentar!

Agora, em 2010, o que vai "quebrar tudo e fazer atæe aleijado tirar o pé do chão" é o "Rebolation". Entender o que é isto não requer nada. Basta ligar sua TV nos principais jornais (sim, aqueles que deveriam informar sobre o que acontece no Brasil e no mundo!), como Bom dia Brasil, Jornal da Globo, Jornal do SBT, e ver uma demonstração da nova dança, acompanhada da bela letra: "Rebolation, rebolation, rebolation, rebolation...".

E pra 2011?! Não quero nem saber o que vão inventar! Pediu pá pará, parô!


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Os óio se enche d'água e até a vista se atrapaia...

Num país em que as rádios são dominadas pelo sertanejo brega de Zezé e família, Leonardo, Daniel, Vitor e Léo, César Menotti e Fabiano, e outros que se multimplicam como gremlins, Pena Branca permaneceu firme em suas raízes caipira, desde o início com Xavantinho até o fim.

Hoje, Pena Branca faleceu e pôs fim a mais uma das poucas duplas que ainda colocavam um pouco de música caipira de verdade na TV (ainda que fosse apenas no programa Viola, Minha Viola, da TV Cultura).

Pena Branca e Xavantinho tiveram sua carreira marcada pela interpretação da linda canção folclórica "Cuitelinho", que também foi cantada por artistas como Milton Nascimento, Nara Leão, Almir Sater, entre outros, e que, como diz a letra, faz o coração bater uma e falhar outra, e os olhos se enchem d'água...




Cuitelinho

Cheguei na beira do porto
Onde as ondas se espaia
As garça dá meia volta
E senta na beira da praia
E o cuitelinho não gosta
Que o botão de rosa caia, ai, ai, ai
Ai, quando eu vim de minha terra
Despedi da parentaia
Eu entrei no Mato Grosso
Dei em terras paraguaia
Lá tinha revolução
Enfrentei fortes bataia, ai, ai, ai
A tua saudade corta
Como aço de navaia
O coração fica aflito
Bate uma, a outra faia
Os óio se enche d`água
Que até a vista se atrapaia, ai, ai, ai

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Aumenta o reggae aí, Malluca!

E depois das maravilhosas "J1" e "Tchubaruba"...



Papapapapaaaa.....



Tchubaruba...

Mallu Magalhães volta e, talvez influenciada por seu namorado, grava um reggae bem verão, com uma pitadinha de ska que poderiam fazer todos os reggaeiros de plantão e aqueles que já se foram arrancarem seus dreads e queimarem tudo até a última ponta literalmente!



Aumenta o reggae aí, Malluca Magalhães!!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Trapalhão cachaceiro?!

Porque Mussum não era só um trapalhão cachaceiro... Ou melhor, porquezis Mussumzis nao era so um trapalhaozis cachaceiro...



Esperanças perdidas

Quantas belezas deixadas nos cantos da vida
Que ninguém quer e nem mesmo procura encontrar
E quando os sonhos se tornam esperanças perdidas
Que alguém deixou morrer sem nem mesmo tentar

Minha beleza encontro no samba que faço
Minha tristeza se torna um alegre cantar
É que carrego o samba bem dentro do peito
E sem a cadência do Samba não posso ficar

Quantas belezas deixadas nos cantos da vida
Que ninguém quer e nem mesmo procura encontrar
E quando os sonhos se tornam esperanças perdidas
Que alguém deixou morrer sem nem mesmo tentar

Minha beleza encontro no samba que faço
Minha tristeza se torna um alegre cantar
É que carrego o samba bem dentro do peito
E sem a cadência do Samba não posso ficar

Não posso ficar, eu juro que não
Não posso ficar, eu tenho razão
Já fui batizado na roda de bamba
O Samba é a corda, eu sou a caçamba

Quantas noites de tristeza ele me consola
Tenho como testemunha a minha viola
Ai se me faltar o samba não sei que será
E sem a cadência do samba não posso ficar

Não posso ficar, eu juro que não
Não posso ficar, eu tenho razão
Já fui batizado na roda de bamba
O Samba é a corda, eu sou a caçamba

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Pagode no mangue

Eu não tô entendendo mais nada...

Na década de 90, Chico Science e a Nação Zumbi, Mundo Livre S/A e outras bandas do Recife cantavam as mazelas do mangue, enquanto nós, aqui no Sul/Sudeste, tínhamos nossos ouvidos invadidos por uma enxurrada de grupos como Katinguelê, Exaltasamba, Artpopular e outros que se orgulhavam em dizer: "Sou mestiço, sou pagodeiro, sou brasileiro".

Mas minha surpresa foi encontrar no Youtube esta pérola: um mestiço, pagodeiro cantando, acompanhado por um coral gospel, versos como: "Sou do mangue, sou do mangue"... Uai, pára o mundo que eu quero descer agora!

domingo, 28 de junho de 2009

Reality show da Narcisa

BBB, Fazenda, Casa dos artistas... Dizem que isso é reality show, mas...

Desde quando a minha realidade (e a de todas as pessoas que eu conheço) é passar o dia inteiro numa casa com piscina, tomando sol, sem fazer nada?! Que eu saiba minha realidade e a de muita gente com aproximadamente a mesma idade daqueles que estão nestes programas - na maioria, jovens de 20 a 30 anos, solteiros - é levantar cedo todo dia pra trabalhar, estudar e, nos finais de semana, se sobrar uma grana, ir ao cinema ou a algum outro lugar pra passear. Piscina?! Só se for a contaminada do SESC ou em alguma viagem pro litoral nas férias!

Pra comer, não lembro de ter participado de nenhuma prova de corrida ou competição pra ver quem pegava mais bolinhas vermelhas numa piscina de lama em troca de uma lazanha, um chocolate, uma caixa de ovos... A gente trabalha, ganha um salário merreca e vai ao supermercado procurar as ofertas. Sem falar que não dá pra comprar com dinheiro de mentirinha, com “estalecas”.

Os prêmios são um caso à parte. Eu, por exemplo, nunca ganhei um carro por ter ficado mais de 4 horas dentro dele, ainda que tenha ficado dentro de um por mais de 8 horas indo de São Paulo pra Cananéia numa véspera de Carnaval.

E o líder (ou o fazendeiro, agora)? Esse deveria ser o cara que pega todo dia o Terminal Santo Amaro que sai do Terminal Amaral Gurgel e vai para a Berrini pra trabalhar. 1h45 minutos de trajeto em pé, sem trânsito; com trânsito, umas 3 horas (Isso sem contar com o trajeto feito antes de chegar ao Terminal Amaral Gurgel e considerando só a ida). Se der sorte ou acordar umas duas horas mais cedo, consegue sentar. Nestes programas não, líder é o cara que consegue pegar mais pilhas dentro de um quarto escuro!

E a TV de plasma que não funciona? Em que casa brasileira que tenha uma TV de plasma, ela não vai estar funcionando?! E o telefone que quando toca tem do outro lado da linha uma voz “de botar medo” dizendo algo do tipo: “Atenção, você está no paredão!” Que paredão?!

As festas são outras coisas surreais: ninguém que mora nas casas prepara as festas, nem vê o evento sendo preparado. De repente, tudo está pronto! Todo mundo come, bebe (de graça), dança numa pista (ao som de um DJ que surge do nada e toca de graça) e, no final, vão dormir. No dia seguinte: tudo limpo, como se nada tivesse acontecido! Nenhum copo pra lavar! Nenhum guardanapo pra jogar fora!

E por aí vai...

Aí, eu pergunto, reality show de quem? Só se for da realidade da Narcisa Tamborindeguy!