Uma família. A avó, o filho, a filha e a neta acabando de almoçar quando a garçonete se aproxima querendo ser gentil com a velhinha:
Garçonete: - Vocês vão querer sobremesa? A senhora aceita: temos sorvete de tapioca, creme de cupuaçu, goiabada frita...?
Velhinha: - Ah, não, não quero, eu tenho Chocotone na minha casa!
(fim de 2010)
Mostrando postagens com marcador cotidiano. Mostrar todas as postagens
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quarta-feira, 5 de outubro de 2011
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Eu podia estar matando, podia estar roubando, mas...
E aí que eu entrei no trem e, depois de uma estação, entra um rapaz de uns 25 anos, meio maltrapilho e começa a falar:
"Pessoal, um minuto da atenção de vocês! Desculpe atrapalhar a viagem, mas estou aqui porque estou desesperado. Sou catador de material reciclável, mas há umas duas semanas a prefeitura levou minha carroça embora e eu não posso trabalhar. Sou HIV positivo, HPV positivo e preciso trabalhar, por isso estou aqui pedindo uma ajuda, qualquer quantia, para poder comprar uma nova carroça e voltar a fazer este trabalho de reciclagem. Se alguém quiser ver, aqui tenho todos os papéis das Clínicas mostrando que eu sou doente."
Algumas pessoas, movidas pelo discurso triste e comovente, rapidamente procuraram em suas bolsas moedas e notas de dois reais para ajudar o pobre rapaz.
Após as doações, o rapaz fazia questão de agradecer a cada dizendo: "Obrigado e Deus que abençoe."
Eu, normalmente, me comovo e dou algum trocado que esteja perdido pela bolsa, ainda que história seja um tremendo caô. Mas, nesse caso, a história era tão ruim que eu realmente não consegui nem dar 10 centavos pro maluco ir embora.
O cara é tão político que, antes mesmo de começar a falar, já vai se desculpando e tenta conquistar todo mundo por sua condição de "desesperado".
Antes, eles chegavam dizendo "eu podia estar matando, podia estar roubando, mas estou aqui pedindo" ou "sou um ex-presidiário e não consigo arrumar emprego, por isso, pra não voltar pro crime, estou pedindo ajuda dentro dos coletivos..." e blá, blá, blá... Agora, o discurso tem toda uma preocupação ecológica, de sustentabilidade: "sou catador de material reciclável".
Aí, pra deixar a situação mais preta pro lado dele e mais comovente pro nosso lado, ele manda umas doenças ou inclui a família no discurso: "tenho cinco filhos pra criar, minha mulher está desempregada....". Nesse caso, nosso amigo escolheu a doença como amiga, mas peraí: HIV, tudo ok, mas HPV?!?!? Calmaê, rapaz, sua doenca é outra: como um homem pode ter HPV? Eu devia mesmo ter pedido os papéis pra dar uma olhada no caso dele, atesado pelas Clínicas!
Enfim, acho que o repertório de histórias dos pedintes dos trens, metrôs e ônibus está acabando e eles estão apelando. Podiam ao menos falar de coisas mais reais e mais convincentes, não?
"Pessoal, um minuto da atenção de vocês! Desculpe atrapalhar a viagem, mas estou aqui porque estou desesperado. Sou catador de material reciclável, mas há umas duas semanas a prefeitura levou minha carroça embora e eu não posso trabalhar. Sou HIV positivo, HPV positivo e preciso trabalhar, por isso estou aqui pedindo uma ajuda, qualquer quantia, para poder comprar uma nova carroça e voltar a fazer este trabalho de reciclagem. Se alguém quiser ver, aqui tenho todos os papéis das Clínicas mostrando que eu sou doente."
Algumas pessoas, movidas pelo discurso triste e comovente, rapidamente procuraram em suas bolsas moedas e notas de dois reais para ajudar o pobre rapaz.
Após as doações, o rapaz fazia questão de agradecer a cada dizendo: "Obrigado e Deus que abençoe."
Eu, normalmente, me comovo e dou algum trocado que esteja perdido pela bolsa, ainda que história seja um tremendo caô. Mas, nesse caso, a história era tão ruim que eu realmente não consegui nem dar 10 centavos pro maluco ir embora.
O cara é tão político que, antes mesmo de começar a falar, já vai se desculpando e tenta conquistar todo mundo por sua condição de "desesperado".
Antes, eles chegavam dizendo "eu podia estar matando, podia estar roubando, mas estou aqui pedindo" ou "sou um ex-presidiário e não consigo arrumar emprego, por isso, pra não voltar pro crime, estou pedindo ajuda dentro dos coletivos..." e blá, blá, blá... Agora, o discurso tem toda uma preocupação ecológica, de sustentabilidade: "sou catador de material reciclável".
Aí, pra deixar a situação mais preta pro lado dele e mais comovente pro nosso lado, ele manda umas doenças ou inclui a família no discurso: "tenho cinco filhos pra criar, minha mulher está desempregada....". Nesse caso, nosso amigo escolheu a doença como amiga, mas peraí: HIV, tudo ok, mas HPV?!?!? Calmaê, rapaz, sua doenca é outra: como um homem pode ter HPV? Eu devia mesmo ter pedido os papéis pra dar uma olhada no caso dele, atesado pelas Clínicas!
Enfim, acho que o repertório de histórias dos pedintes dos trens, metrôs e ônibus está acabando e eles estão apelando. Podiam ao menos falar de coisas mais reais e mais convincentes, não?
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Atenção, senhores passageiros... Fudeu, mas mantenham a calma...
Eu nunca tive medo de avião, como o Belchior, sempre viajei tranquilamente e só sentia aquele friozinho na barriga natural na hora de decolar ou de pousar. Cheguei até a cogitar a possibilidade de seguir a carreira de comissária de bordo.
Fato é que, apesar de não ter medo de avião, já passei por uma situação que poderia facilmente ter me dado certo pânico. E convenhamos: qualquer situação um pouco "diferente" dentro de um avião planando no céu, com sei lá quantas toneladas e mais de 100 pessoas dentro, pode criar pânico, terror e muita agonia.
Bom, há algum tempo, voltávamos minha mãe, vó, tia e eu de uma viagem de férias na Disney. Tudo muito tranquilo, voo sossegado, filme "O casamento do meu melhor amigo" durante a viagem, nada anormal durante o voo. E foi justamente quando pousamos que se criou certo desespero dentro da aeronave. Uma fumaça parecia sair da turbina, comissárias corriam de um lado para outro com cara de "Fudeu!" e a ordem era "Permaneçam sentados e com os cintos de segurança."
O cheiro de fumaça começou a se alastrar por dentro do avião e as pessoas, que até então estavam sentadas, começaram a se levantar desesperadas, afinal ninguém queria morrer de acidente de avião em terra firme (seria como morrer de parto, depois de fazer tratamento para engravidar durante um ano!).
As aeromoças (que pareciam tão desesperadas quanto os passageiros) não se importavam em dar informação alguma, as portas não eram abertas, enfim estávamos presos, achando que o avião explodiria a qualquer momento e em solo firme!
Estávamos sentadas num banco para quatro pessoas: na janela, uma moça desconhecida que vinha renovar seu visto de estudante; eu, minha mãe e minha vó na ponta, no corredor.
Enquanto todos começavam a se liberar e ir para a porta (que permanecia trancada), numa confusão danada, minha vó não se abalava; permanecia sentada, com olhar tranquilo, como se achasse tudo normal. A moça ao nosso lado, muito pelo contrário, começou a jogar sua bolsa por cima de nossas cabeças e só faltou subir nos bancos para poder sair de lá.
O desfecho da história foi meio que... digamos, sem desfecho. Em um determinado momento, as portas foram abertas. As aeromoças colocaram-se a postos e, com o costumeiro sorriso estampado no rosto e um simpático "Até breve.", despediam-se dos passageiros, que não correspondiam ao sorriso e só pensavam em sair de dentro daquele negócio o mais rápido possível, a não ser minh avó que, toda simpática, despedia-se da tripulação como se tivesse tido uma epifania naqueles quinze minutos anteriores (que pareceram 15 horas!).
Fato é que, apesar de não ter medo de avião, já passei por uma situação que poderia facilmente ter me dado certo pânico. E convenhamos: qualquer situação um pouco "diferente" dentro de um avião planando no céu, com sei lá quantas toneladas e mais de 100 pessoas dentro, pode criar pânico, terror e muita agonia.
Bom, há algum tempo, voltávamos minha mãe, vó, tia e eu de uma viagem de férias na Disney. Tudo muito tranquilo, voo sossegado, filme "O casamento do meu melhor amigo" durante a viagem, nada anormal durante o voo. E foi justamente quando pousamos que se criou certo desespero dentro da aeronave. Uma fumaça parecia sair da turbina, comissárias corriam de um lado para outro com cara de "Fudeu!" e a ordem era "Permaneçam sentados e com os cintos de segurança."
O cheiro de fumaça começou a se alastrar por dentro do avião e as pessoas, que até então estavam sentadas, começaram a se levantar desesperadas, afinal ninguém queria morrer de acidente de avião em terra firme (seria como morrer de parto, depois de fazer tratamento para engravidar durante um ano!).
As aeromoças (que pareciam tão desesperadas quanto os passageiros) não se importavam em dar informação alguma, as portas não eram abertas, enfim estávamos presos, achando que o avião explodiria a qualquer momento e em solo firme!
Estávamos sentadas num banco para quatro pessoas: na janela, uma moça desconhecida que vinha renovar seu visto de estudante; eu, minha mãe e minha vó na ponta, no corredor.
Enquanto todos começavam a se liberar e ir para a porta (que permanecia trancada), numa confusão danada, minha vó não se abalava; permanecia sentada, com olhar tranquilo, como se achasse tudo normal. A moça ao nosso lado, muito pelo contrário, começou a jogar sua bolsa por cima de nossas cabeças e só faltou subir nos bancos para poder sair de lá.
O desfecho da história foi meio que... digamos, sem desfecho. Em um determinado momento, as portas foram abertas. As aeromoças colocaram-se a postos e, com o costumeiro sorriso estampado no rosto e um simpático "Até breve.", despediam-se dos passageiros, que não correspondiam ao sorriso e só pensavam em sair de dentro daquele negócio o mais rápido possível, a não ser minh avó que, toda simpática, despedia-se da tripulação como se tivesse tido uma epifania naqueles quinze minutos anteriores (que pareceram 15 horas!).
terça-feira, 26 de outubro de 2010
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Conversas da mesa ao lado
Uma família. A avó, o filho, a filha e a neta acabando de almoçar quando a garçonete se aproxima querendo ser gentil com a velhinha:
Garçonete: - Vocês vão querer sobremesa? A senhora aceita: temos sorvete de tapioca, creme de cupuaçu, goiabada frita...?
Velhinha: - Ah, não, não quero, eu tenho Chocotone na minha casa!
Garçonete: - Vocês vão querer sobremesa? A senhora aceita: temos sorvete de tapioca, creme de cupuaçu, goiabada frita...?
Velhinha: - Ah, não, não quero, eu tenho Chocotone na minha casa!
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Na banca de jornal
Potira: - Oi. Tem aquela revista que tem o Wagner Montes na capa? Esqueci qual é...
Moço da banca: - Wagner Montes?! Ih, não sei que revista é essa não...
Potira: - Bom, deixa eu dar uma olhada então nas revistas...
(...)
Potira: - Achei, moço... É essa, Rolling Stone.
Moço: - Então, esse é o Wagner Moura, não é o Wagner Montes, né?!
Potira: - E não foi isso que eu falei?!
Moço: - rs... Não...
Moço da banca: - Wagner Montes?! Ih, não sei que revista é essa não...
Potira: - Bom, deixa eu dar uma olhada então nas revistas...
(...)
Potira: - Achei, moço... É essa, Rolling Stone.
Moço: - Então, esse é o Wagner Moura, não é o Wagner Montes, né?!
Potira: - E não foi isso que eu falei?!
Moço: - rs... Não...
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Conversa de elevador
No elevador do Shopping Lapa (Isso, existe um shopping na Lapa. Não recomendo!):
Minha tia: Por favor, a gente vai pra praça de alimentação... Último andar são os cinemas... Quantos cinemas têm aqui?
Ascensorista: Não sei, não sou curiosa.
No currículo dela devia estar em destaque: FACILIDADE DE LIDAR COM O PÚBLICO.
Minha tia: Por favor, a gente vai pra praça de alimentação... Último andar são os cinemas... Quantos cinemas têm aqui?
Ascensorista: Não sei, não sou curiosa.
No currículo dela devia estar em destaque: FACILIDADE DE LIDAR COM O PÚBLICO.
Vovó e as novelas do SBT
- Ah, essa aí é Carnaval de Paixão. Ainda não começou a Ana Raia.
- Canavial, vó, Canavial de Paixões. E não, ainda não começou Ana Raio e Zé Trovão.
- Canavial, vó, Canavial de Paixões. E não, ainda não começou Ana Raio e Zé Trovão.
Na kebaberia...
- Oi. Eu queria um kebab de kafka.
- De kafta?
- Ah é! De kafka vem com uma barata dentro, né?!
...
- Desculpa, moça, não entendi...
- Nada não. Só o kebab e uma coca mesmo.
(Mais um episódia de "A surreal vida de Potira, a sem noção")
- De kafta?
- Ah é! De kafka vem com uma barata dentro, né?!
...
- Desculpa, moça, não entendi...
- Nada não. Só o kebab e uma coca mesmo.
(Mais um episódia de "A surreal vida de Potira, a sem noção")
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Bagulhos do bumba
Pegar ônibus em São Paulo é para os fortes.
Fato é que fazer trajetos que vão do simples "Vila Madalena - Parque Edu Chaves" aos mais complexos como "Pinheiros - Terminal Jardim Ângela", "Terminal Princesa Isabel - Cohab Taipas", incluindo integrações com metrô, trens, vans, pode ser uma experiência antropológica se olharmos com atenção os tipos humanos que aparecem na vida de qualquer pessoa que ande de ônibus, pelo menos, uma vez ao dia.
Lógico que existem muitos outros "tipos", como os que envolvem crianças, os adolescentes, etc, mas eu teria que escrever um livro, não um post.
Fato é que fazer trajetos que vão do simples "Vila Madalena - Parque Edu Chaves" aos mais complexos como "Pinheiros - Terminal Jardim Ângela", "Terminal Princesa Isabel - Cohab Taipas", incluindo integrações com metrô, trens, vans, pode ser uma experiência antropológica se olharmos com atenção os tipos humanos que aparecem na vida de qualquer pessoa que ande de ônibus, pelo menos, uma vez ao dia.
1. Mulher-cobra: normalmente, usando calça jeans ultrajusta, top de supplex (ou algum tecido sintético do tipo que se usa pra fazer ginástica) e uma sandália plataforma, esse ser costuma se enrolar no ferro onde deveríamos colocar apenas a mão pra nos segurar, formando o famoso símbolo da medicina. A mulher-cobra não só coloca a mão, como o braço e o restante do corpo ao redor do ferro, fazendo uma espécie de malabarismo enquanto o ônibus faz curvas, passa por buracos, num misto de pole dance e falta de noção, já que quem quer só por a mão pra se apoiar um pouquinho fica sem ter como fazer isso.
2. Mulher-cremosa: ela sai de casa com o cabelo todo trabalhado no gel brilho molhado. Eu não sei direito qual é a ideia disso, mas faz o maior sucesso especialmente entre as moças de cabelos cacheados. Aí, você entra no ônibus lotado tentando desviar dessa gosma para evitar que aquilo respingue em qualquer parte do seu corpo; aí, a fulana passa a mão no cabelo sem parar depois segura no ferro e você, sem saber, vai segurar e sente a mão escorregar...
3. Sou porteiro, não saio nunca: a criatura para ali na porta de saída, mas vai descer só no ponto final. Normalmente, são duplas ou até trios de pessoas que se reúnem ali, com medo de não conseguir descer no último ponto. Aliás, são os mesmos que costumam ficar empatando na porta de entrada também, o que faz com que as filas nos pontos de ônibus tripliquem.
4. Empaca-catraca: é aquela cheia de sacolas e bolsas, que não deixa o dinheiro separado, coloca tudo em cima da gaveta do cobrador e fica lá, durante horas, procurando o bilhete único, os cinco centavos que faltam pra completar os 2,70...
5. O sonolento: ele não dormiu direito, acordou muito cedo, vai saber! Mas ele só quer um ombro amigo pra se encostar e dormir, por isso sua cabeça teima em cair sobre seus ombros.
6. O prestativo e o medroso: o prestativo quer a todo custo segurar sua bolsa, sua pasta, seu casaco, seu guarda-chuva molhado, mas você nem pensa em entregar nada a ele. Já pensou em quantas pessoas são furtadas por esse tipo de gente prestativa?!
7. Finjo dormir pra não te ajudar: esse tipo é aquele que, quando percebe que você tá carregado de coisas, finge estar dormindo, logo não vê suas coisas e não pode se oferecer para segurá-las.
8. Tinjo o cabelo de loiro pra parecer velha ou uso bata pra parecer grávida, mas só sou gorda mesmo: essas são aquelas tiazinhas que não são tão jovens, nem tão velhas, mas que pintam o cabelo de loiro e te deixam na dúvida: dar ou não dar luagr a elas. O mesmo ocorre com qualquer gordinha de bata: está grávida ou não, dou ou não dou lugar.
9. Tenho celular pra usar mesmo: a pessoa já entra com o celular na mão às oito horas da manhã. Em meia hora de ônibus, sentado ao lado dela ou em local distante, se você não estiver ouvindo seu iPod em alto e bom som, saberá a vida da pessoa e, provavelmente de sua família, amigos, vizinhos, em detalhes.
10. Ouço música ruim e gosto de compartilhar: sim porque como se não bastasse falar ao celular, as pessoas agora usam como rádio. Quer dizer: a pessoa vai lá na internet, baixa só o melhor de Calypso, Calcinha Preta e dos funks cariocas, pendura aquela bosta de celular no pescoço, liga o MP3 e compartilha a droga com todo mundo. Só queria saber quem inventou isso...
Lógico que existem muitos outros "tipos", como os que envolvem crianças, os adolescentes, etc, mas eu teria que escrever um livro, não um post.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Votar?
Sempre morei no mesmo lugar, perto de um grande colégio em São Paulo que, em época de eleição, é usado para votação. Graças a essa proximidade, costumava gostar muito desse período.
Era sagrado o almoço na casa da tia Léa (que mora na rua perpendicular à minha) e a saída no domingo de manhã junto com minha mãe, minha vó, meu avô e minhas tias para a votação.
Para o meu avô e minha avó, aquilo sempre foi muito importante. Mesmo quando estava de cama, meu avô queria que dessemos um jeito para que ele pudesse votar. Minha vó, com quase 90 anos, ainda sobe três andares de escada para votar.
Pra mim, eleição sempre foi uma festa. Eu ia mesmo pra pegr papelzinho, brindes, bandeirinhas, bonés, camisetas, adesivos, bottons, tudo, e de qualquer candidato. Óbvio que, como eu sempre fui do contra, sempre dizia que se votasse, votaria no Maluf e, por isso, seus flyers eram meus preferidos.
Toda essa festa durou até os 18 anos, quando disseram que eu teria que votar (sim, eu nem cogitei de tirar meu título aos 16!). Meu avô estava bem mais empolgado do que eu em relação a isso, mas já que eu teria que tirar de qualquer maneira aquele título, lá fomos nós para o TRE.
Pensando que estava tudo resolvido, agora era só aguardar o momento de votar. Mas infelizmente, eu, que já estava puta por ser obrigada a votar, tive uma surpresa ainda mais desagradável antes mesmo dos resultados da eleição - que sempre são desagradáveis, mas nunca surpreendem.
Sim, eu fui chamada para ser mesária assim que tirei meu título. Quer dizer: eu nunca tinha votado e já ia ser mesária.
Foi assim que meus dias de festa eleitoral acabaram e, por cinco anos, passei a ficar das 7h às 17h30 dentro de um colégio eleitoral, ganhando apenas um vale-refeição de sete reais e dois dias de folga - que poucas vezes foram aproveitados.
Hoje, não preciso mais trabalhar em dia de votação, mas também já não me empolgo mais com os papéis, flyers, camisetas, bonés, afinal são os mesmos candidatos que eu vejo há mais de 20 anos. O jeito agora é cumprir a obrigação (se é obrigatório, cadê a democracia?!) e escolhar votar no que seja menos pior, no que seja diferente, no que não tem chance, mas se tivesse poderia dar certo...
Era sagrado o almoço na casa da tia Léa (que mora na rua perpendicular à minha) e a saída no domingo de manhã junto com minha mãe, minha vó, meu avô e minhas tias para a votação.
Para o meu avô e minha avó, aquilo sempre foi muito importante. Mesmo quando estava de cama, meu avô queria que dessemos um jeito para que ele pudesse votar. Minha vó, com quase 90 anos, ainda sobe três andares de escada para votar.
Pra mim, eleição sempre foi uma festa. Eu ia mesmo pra pegr papelzinho, brindes, bandeirinhas, bonés, camisetas, adesivos, bottons, tudo, e de qualquer candidato. Óbvio que, como eu sempre fui do contra, sempre dizia que se votasse, votaria no Maluf e, por isso, seus flyers eram meus preferidos.
Toda essa festa durou até os 18 anos, quando disseram que eu teria que votar (sim, eu nem cogitei de tirar meu título aos 16!). Meu avô estava bem mais empolgado do que eu em relação a isso, mas já que eu teria que tirar de qualquer maneira aquele título, lá fomos nós para o TRE.
Pensando que estava tudo resolvido, agora era só aguardar o momento de votar. Mas infelizmente, eu, que já estava puta por ser obrigada a votar, tive uma surpresa ainda mais desagradável antes mesmo dos resultados da eleição - que sempre são desagradáveis, mas nunca surpreendem.
Sim, eu fui chamada para ser mesária assim que tirei meu título. Quer dizer: eu nunca tinha votado e já ia ser mesária.
Foi assim que meus dias de festa eleitoral acabaram e, por cinco anos, passei a ficar das 7h às 17h30 dentro de um colégio eleitoral, ganhando apenas um vale-refeição de sete reais e dois dias de folga - que poucas vezes foram aproveitados.
Hoje, não preciso mais trabalhar em dia de votação, mas também já não me empolgo mais com os papéis, flyers, camisetas, bonés, afinal são os mesmos candidatos que eu vejo há mais de 20 anos. O jeito agora é cumprir a obrigação (se é obrigatório, cadê a democracia?!) e escolhar votar no que seja menos pior, no que seja diferente, no que não tem chance, mas se tivesse poderia dar certo...
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Gorda Gil?!
Minha vó conversando na sala com minha mãe, enquanto assistem à TV:
Vó: Essa aí é aquela filha do Gilberto Gil, né?!
Mãe: É...
Vó: É Gorda Gil o nome dela, né?
Mãe: É, Gorda Gil.
Vó: Essa aí é aquela filha do Gilberto Gil, né?!
Mãe: É...
Vó: É Gorda Gil o nome dela, né?
Mãe: É, Gorda Gil.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Que milagre o senhor por aqui ou sobre a paciência e como se acostumar com a rotina
Sem dúvida, não existe história de amor mais bonita do que a do Professor Girafales com a Dona Florinda (e isso não é saudosismo dos anos 1980, ok?!) porque é, acima de tudo, uma história de paciência.
O namoro deles não sai de uma xícara de chá e um humilde ramo de flores. Todos os dias, os dois amantes se encontram e a conversa é a mesma.
O tal professor tem de aguentar , na escola e nas visitas, o filho chato e mimado da mulher que tanto ama. Some-se a isso ter que presenciar e, muitas vezes, participar sem querer das brigas da vizinhança do cortiço, sendo atingido por baldes de água, vassouradas... E ainda: se arrumar todo para encontrar uma mulher usando bobes no cabelo! E no final só reclamar com um "Tá-tá-tá!".
Mas a vida de Dona Florinda também não é lá essas coisas. Que mulher gostaria de receber, todos os dias, o mesmo presente: as famigeradas rosas vermelhas. Poxa, professor! Podia variar um pouco, né?! Uns bombons, uma joia, umas roupinhas novas, já reparou que a sua digníssima senhora usa sempre a mesma roupa?!
Enfim, relevando as mesmices, a rotina, os problemas com vizinhos, a chatice do filho, caminham sempre juntos (não, um após o outro), em direção a uma xícara de chá.
O namoro deles não sai de uma xícara de chá e um humilde ramo de flores. Todos os dias, os dois amantes se encontram e a conversa é a mesma.
O tal professor tem de aguentar , na escola e nas visitas, o filho chato e mimado da mulher que tanto ama. Some-se a isso ter que presenciar e, muitas vezes, participar sem querer das brigas da vizinhança do cortiço, sendo atingido por baldes de água, vassouradas... E ainda: se arrumar todo para encontrar uma mulher usando bobes no cabelo! E no final só reclamar com um "Tá-tá-tá!".
Mas a vida de Dona Florinda também não é lá essas coisas. Que mulher gostaria de receber, todos os dias, o mesmo presente: as famigeradas rosas vermelhas. Poxa, professor! Podia variar um pouco, né?! Uns bombons, uma joia, umas roupinhas novas, já reparou que a sua digníssima senhora usa sempre a mesma roupa?!
Enfim, relevando as mesmices, a rotina, os problemas com vizinhos, a chatice do filho, caminham sempre juntos (não, um após o outro), em direção a uma xícara de chá.
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
terça-feira, 20 de julho de 2010
Ar-condicionado em local de trabalho é...
Então, lembra de "Amar é..."?
Fiz a minha versão...
Ar-condicionado em local de trabalho é motivo de discórdia, não importa onde você trabalhe.
Ar-condicionado em local de trabalho é algo que nunca vai agradar a ninguém, calorentos nem friorentos.
Ar-condicionado em local de trabalho é ter que trabalhar de blusa no verão e sem blusa no inverno.
Ar-condicionado em local de trabalho é ir do mais quente verão senegalês ao mais frio inverno da Sibéria.
Fiz a minha versão...
Ar-condicionado em local de trabalho é motivo de discórdia, não importa onde você trabalhe.
Ar-condicionado em local de trabalho é algo que nunca vai agradar a ninguém, calorentos nem friorentos.
Ar-condicionado em local de trabalho é ter que trabalhar de blusa no verão e sem blusa no inverno.
Ar-condicionado em local de trabalho é ir do mais quente verão senegalês ao mais frio inverno da Sibéria.
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