Quando eu era pequena, o Dia das Crianças, junto com o Natal e o meu aniversário, era uma das datas mais esperadas do ano. Isso por um simples motivo: os presentes que, como filha única, eram muitos.
Na época, meus interesses eram Barbies, acessórios de Barbie, roupinhas de Barbie, casa da Barbie, móveis para casa da Barbie, carro da Barbie... Isso só variava quando aparecia alguma coisa tecnológica muito moderna pra época, tipo o Master System ou o Game Gear.
Apesar de serem muito avançados pra época, o Master System e o Game Gear ficam no chinelo quando o assunto é "brinquedos" hoje em dia. Nada de Barbies simples que vem no máximo com um líquido rosa pra pintar os cabelos, muito menos carros de Barbie que precisam ser empurrados pra andar... Hoje, a coisa está bem diferente!
1. Barbie Video Girl - O que dizer dessa boneca? Ela vem com câmera de vídeo embutida e cabo USB para que a criança possa fazer seus próprios vídeos usando a Barbie (tsc tsc) e ainda baixar em seu notebook. Porque não basta só trocar as roupinhas da Barbie, agora você tem que usar a boneca pra filmar. É a geração dos multifuncionais.
2. Nevada Pick-Up 6v - Lembro bem do meu tico-tico e da minha primeira bicicleta, quando ainda era necessário pedalar com certo esforço para chegar a algum lugar. E o sofrimento até aprender a andar de bicicleta sem rodinha: primeiro, tirava-se uma e, algum tempo depois, com a ajuda de um adulto, finalmente conseguíamos andar livres. Ao contrário dessa pick up, que tem 2 marchas, acelerador, freio, o máximo do veículo motorizado que chegávamos naquela época era por meio do walk machine, uma espécie de patinete motorizado.
3. iCarly Random Dance Pod - Esse colocaria o Meu Primeiro Gradiente. Enquanto no aparelho da Gradiente, você gravava sua voz em uma fita usando um microfone com fio, agora, com o iCarly Pod, você não só ouve as músicas, como pode controlar a velocidade da música, fazê-la parar ou continuar, simplesmente pelo movimento do seu próprio corpo.
4. Cozinha prática com água - Porque em tempos de "ecologicamente correto" usar água pra ficar lavando pratinho de brinquedo sujo de comidinha de barro e planta não tem problema, né?!
5. Giz gigante para calçada - Pixador vai preso por pintar na rua. Grafiteiro vai preso por pintar na rua. E criança pintando calçada?! Como dizia a antiga propaganda, "Vandalismo é crime e dá cadeia." E a lei Cidade Limpa do Kassab, como faz agora?!
6. Boneca Baby Alive Surpresa - A boneca é praticamente um bebê de verdade e, como crianças não costumam cuidar bem nem de si mesmas, vai acabar sobrando para os pais cuidarem. Ela come comidinhas de verdade - que são vendidas separadamente nos sabores banana, pera, ervilha e feijão -, suja a fralda e ainda vai te encher o saco falando 20 frases. Bom, se você gosta muito de conversar, há uma versão com 50 frases, mas essa não suja a fralda, não tme graça.
7. Xcraft – Carro Anfíbio - Enquanto o carro da Barbie andava só na base do empurrão, esse além de ser com controle remoto, é anfíbio e corre a velocidades incríveis no solo e na água. Fala sério, que criança precisa disso?
8. Laptop Alien Force Ben 10 - Bem mais divertido do que os PCs e MACs normais, o laptop pra crianças vem com 28 atividades educativas e pouco divertidas. Você já vai criando um alien nerd que nunca jogou taco na rua e que vai ser zoado na escola desde cedo.
9. Nintendo Wii - Tá, é o que há de mais moderno e interativo em vídeo game, acaba com Atari, Master System ou qualquer outra coisa dessas, mas vamos combinar que isso é mais presente para os pais do que para os filhos, né?! Agora, os pais não brigam mais com as crianças porque o video game vai estragar a TV ou porque a criança vai ficar míope ou viciada, brigam pra saber que jogo vai ser jogado, quem joga primeiro, enfim...
10. Jogo Super Banco Imobiliário - Pois é, o joguinho das crianças empreiteiras e empreendedoras que compram e vendem propriedades agora facilita todas as negociações aceitando cartão de crédito.
Sem mais.
Mostrando postagens com marcador crianças. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador crianças. Mostrar todas as postagens
sábado, 9 de outubro de 2010
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Votar?
Sempre morei no mesmo lugar, perto de um grande colégio em São Paulo que, em época de eleição, é usado para votação. Graças a essa proximidade, costumava gostar muito desse período.
Era sagrado o almoço na casa da tia Léa (que mora na rua perpendicular à minha) e a saída no domingo de manhã junto com minha mãe, minha vó, meu avô e minhas tias para a votação.
Para o meu avô e minha avó, aquilo sempre foi muito importante. Mesmo quando estava de cama, meu avô queria que dessemos um jeito para que ele pudesse votar. Minha vó, com quase 90 anos, ainda sobe três andares de escada para votar.
Pra mim, eleição sempre foi uma festa. Eu ia mesmo pra pegr papelzinho, brindes, bandeirinhas, bonés, camisetas, adesivos, bottons, tudo, e de qualquer candidato. Óbvio que, como eu sempre fui do contra, sempre dizia que se votasse, votaria no Maluf e, por isso, seus flyers eram meus preferidos.
Toda essa festa durou até os 18 anos, quando disseram que eu teria que votar (sim, eu nem cogitei de tirar meu título aos 16!). Meu avô estava bem mais empolgado do que eu em relação a isso, mas já que eu teria que tirar de qualquer maneira aquele título, lá fomos nós para o TRE.
Pensando que estava tudo resolvido, agora era só aguardar o momento de votar. Mas infelizmente, eu, que já estava puta por ser obrigada a votar, tive uma surpresa ainda mais desagradável antes mesmo dos resultados da eleição - que sempre são desagradáveis, mas nunca surpreendem.
Sim, eu fui chamada para ser mesária assim que tirei meu título. Quer dizer: eu nunca tinha votado e já ia ser mesária.
Foi assim que meus dias de festa eleitoral acabaram e, por cinco anos, passei a ficar das 7h às 17h30 dentro de um colégio eleitoral, ganhando apenas um vale-refeição de sete reais e dois dias de folga - que poucas vezes foram aproveitados.
Hoje, não preciso mais trabalhar em dia de votação, mas também já não me empolgo mais com os papéis, flyers, camisetas, bonés, afinal são os mesmos candidatos que eu vejo há mais de 20 anos. O jeito agora é cumprir a obrigação (se é obrigatório, cadê a democracia?!) e escolhar votar no que seja menos pior, no que seja diferente, no que não tem chance, mas se tivesse poderia dar certo...
Era sagrado o almoço na casa da tia Léa (que mora na rua perpendicular à minha) e a saída no domingo de manhã junto com minha mãe, minha vó, meu avô e minhas tias para a votação.
Para o meu avô e minha avó, aquilo sempre foi muito importante. Mesmo quando estava de cama, meu avô queria que dessemos um jeito para que ele pudesse votar. Minha vó, com quase 90 anos, ainda sobe três andares de escada para votar.
Pra mim, eleição sempre foi uma festa. Eu ia mesmo pra pegr papelzinho, brindes, bandeirinhas, bonés, camisetas, adesivos, bottons, tudo, e de qualquer candidato. Óbvio que, como eu sempre fui do contra, sempre dizia que se votasse, votaria no Maluf e, por isso, seus flyers eram meus preferidos.
Toda essa festa durou até os 18 anos, quando disseram que eu teria que votar (sim, eu nem cogitei de tirar meu título aos 16!). Meu avô estava bem mais empolgado do que eu em relação a isso, mas já que eu teria que tirar de qualquer maneira aquele título, lá fomos nós para o TRE.
Pensando que estava tudo resolvido, agora era só aguardar o momento de votar. Mas infelizmente, eu, que já estava puta por ser obrigada a votar, tive uma surpresa ainda mais desagradável antes mesmo dos resultados da eleição - que sempre são desagradáveis, mas nunca surpreendem.
Sim, eu fui chamada para ser mesária assim que tirei meu título. Quer dizer: eu nunca tinha votado e já ia ser mesária.
Foi assim que meus dias de festa eleitoral acabaram e, por cinco anos, passei a ficar das 7h às 17h30 dentro de um colégio eleitoral, ganhando apenas um vale-refeição de sete reais e dois dias de folga - que poucas vezes foram aproveitados.
Hoje, não preciso mais trabalhar em dia de votação, mas também já não me empolgo mais com os papéis, flyers, camisetas, bonés, afinal são os mesmos candidatos que eu vejo há mais de 20 anos. O jeito agora é cumprir a obrigação (se é obrigatório, cadê a democracia?!) e escolhar votar no que seja menos pior, no que seja diferente, no que não tem chance, mas se tivesse poderia dar certo...
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
O primeiro e último CD
Em 1993, eu estava na sétima série e vivíamos uma época de transição dos velhos discos de vinil para os novos disc laser - como dizíamos na época -, conhecidos hoje como CDs.
Foi nesse ano que meu avô comprou o primeiro aparelho que tocava CD da minha casa e me deu. Foi um JVC portátil, que custou 500 reais e só foi encontrado no Shopping Plaza Sul. Tão raras quanto as lojas de aparelhos eletrônicos que vendessem CD players, eram as lojas que vendiam os tais CDs; só havia três: a Hi-Fi, no Shopping Iguatemi, a Billboard, no shopping Paulista e uma distribuidora da Geffen e de outras gravadoras estrangeiras, no Itaim.

Fato é que meu avô me deu o aparelho antes de eu ter qualquer CD para toccar nele, o que fazia com que eu continuasse ouvindo meus vinis... até o dia em que, em alguma data comemorativa que eu não me lembro qual, ganhei meu primeiro disquinho.
1993 parece ter sido o auge do rap nacional. Lembro que existia uma tal de Rádio Metropolitana, que tinha um horário dedicado ao estilo, além da 105 e de outras rádios, que já não existem mais. Além de grupos como Doctor MCs, RZO, RPW, Racionais - e Sampa Crew (rs...), um rapper branco, carioca, classe média, começava a fazer sucesso e conquistar o respeito das pessoas que curtiam o movimento: Gabriel, o Pensador.
Minha mãe, que também estava ansiosa para inaugurar meu aparelhinho de som (e que também não devia mais me aguentar reclamando que não tinha um CD sequer pra ouvir), correu até a loja em busca de um CD.
Mãe: Oi. Eu queria um CD do Gabriel, o Pensador.
Vendedor: Está aqui.
Mãe: Esse é o último, né?!
Vendedor: Só tem esse, senhora.

Sim, foi dele o primeiro CD que eu ganhei para ouvir no meu JVC. Era a época de "Loraburra", "Lavagem Cerebral", etc, músicas com letras quilométricas, mas que eu sabia inteiras. E minha mãe até tinha razão (ou talvez já previsse): foi o último que comprei do artista. O único, primeiro e último.
Ainda assim, não abandonei meus discos de vinil. Por muito tempo, o velho Gradiente me aguentou fazendo um vai e vem para "produzir scratches" (sim, eu pensava que era DJ!) usando os discos da Xuxa, do Iron, da Maria Bethânia (minha mãe nunca soube disso! rs...), ou de qualquer outro que estivesse dando sopa na prateleira.
Foi nesse ano que meu avô comprou o primeiro aparelho que tocava CD da minha casa e me deu. Foi um JVC portátil, que custou 500 reais e só foi encontrado no Shopping Plaza Sul. Tão raras quanto as lojas de aparelhos eletrônicos que vendessem CD players, eram as lojas que vendiam os tais CDs; só havia três: a Hi-Fi, no Shopping Iguatemi, a Billboard, no shopping Paulista e uma distribuidora da Geffen e de outras gravadoras estrangeiras, no Itaim.

Fato é que meu avô me deu o aparelho antes de eu ter qualquer CD para toccar nele, o que fazia com que eu continuasse ouvindo meus vinis... até o dia em que, em alguma data comemorativa que eu não me lembro qual, ganhei meu primeiro disquinho.
1993 parece ter sido o auge do rap nacional. Lembro que existia uma tal de Rádio Metropolitana, que tinha um horário dedicado ao estilo, além da 105 e de outras rádios, que já não existem mais. Além de grupos como Doctor MCs, RZO, RPW, Racionais - e Sampa Crew (rs...), um rapper branco, carioca, classe média, começava a fazer sucesso e conquistar o respeito das pessoas que curtiam o movimento: Gabriel, o Pensador.
Minha mãe, que também estava ansiosa para inaugurar meu aparelhinho de som (e que também não devia mais me aguentar reclamando que não tinha um CD sequer pra ouvir), correu até a loja em busca de um CD.
Mãe: Oi. Eu queria um CD do Gabriel, o Pensador.
Vendedor: Está aqui.
Mãe: Esse é o último, né?!
Vendedor: Só tem esse, senhora.

Sim, foi dele o primeiro CD que eu ganhei para ouvir no meu JVC. Era a época de "Loraburra", "Lavagem Cerebral", etc, músicas com letras quilométricas, mas que eu sabia inteiras. E minha mãe até tinha razão (ou talvez já previsse): foi o último que comprei do artista. O único, primeiro e último.
Ainda assim, não abandonei meus discos de vinil. Por muito tempo, o velho Gradiente me aguentou fazendo um vai e vem para "produzir scratches" (sim, eu pensava que era DJ!) usando os discos da Xuxa, do Iron, da Maria Bethânia (minha mãe nunca soube disso! rs...), ou de qualquer outro que estivesse dando sopa na prateleira.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Sobre como eu me tornei craque em basquete (ou a primeira vez que eu fiquei de recuperação)
Desde que me conheço por gente, não consigo me lembrar de ter ficado um ano sem estudar. Minha vida inteira - ou pelo menos, uns 25 dos 28 anos que eu tenho - passei dentro de uma instituição de ensino, incluindo aqui do pré ao mestrado, passando por cursos de idiomas, artes...
Fato é que eu tinha tudo pra ser uma nerd, se não fosse por duas passagens vermelhas na minha vida acadêmica, apesar de uma delas até poder me dar o título de "Nerd com Mérito".
Como para todo nerd, a educação física para mim (como eu já disse aqui, de novo a educação física!) era o momento mais aterrorizante de todos da escola. Em tudo, até em matemática, eu me virava e, se não desse pra tirar o 10, tirava o suficiente pra passar, mas em educação física, por mais que eu tentasse me virar, não dava.
Na quinta série, as aulas de Educação Física deixaram de ser o famoso Corre Cotia (que já me deixava em pânico) e passaram a ser divididas em dois tipos de aula: ginástica olímpica e jogos. Óbvio que eu não me dava bem em ginástica olímpica, nem nos jogos. Mas o que complicou foi que além de todas estas habilidades exigidas, eu ainda precisava fazer provas físicas.
As provas se dividiam em: abdominais, flexibilidade, corrida e salto, tudo com um valor médio padrão pra cada idade, e uma apresentação utilizando os movimentos aprendidos na ginástica olímpica. Pronto: fiquei de recuperação.
Nas apresentações de ginástica olímpica, tínhamos que fazer sozinhas movimentos na trava, no cavalo, usando uma música instumental qualquer. Como naquela época, eu ainda não havia sido apresentada à Capoeira, meus movimentos mais pareciam o de um boneco de posto. Acrescente aí uma boa dose de timidez e o fato de ser observada por todas as alunas da minha sala, quando não pelos outros alunos do colégio, já que as aulas eram antes do intervalo do recreio e eu, com esse nome com P, uma das últimas a se apresentar.
Para as outras provas, as físicas, o nível exigido era muito alto para uma menina de 10 anos, que não fazia atividade física nenhuma (nem o balé ou o jazz que todas as meninas da minha idade faziam), anêmica, alta, magrela e desengonçada como eu.
Baseada numa tabela de valores correspondentes à idade, a professora Regina chamava aluna por aluna para efetuar o circuito, enquanto as outras ficavam olhando e botando certa pressão do tipo: "Vai! Só mais 300!" (Pena que naquela época eu ainda não era muito esperta, Se fosse hoje, mandava todo mundo se f...!).
Primeiro: teste de abdominais. O objetivo era que se alcançasse ou ultrapasasse a meta de abdominais. A minha, de acordo com a idade, era 35. Eu já morria nos primeiros dez.
Em seguida, íamos para o teste de flexibilidade, em que teoricamente eu teria que alcançar o pé, ou passar dele, sentada, sem dobrar o joelho. Sentia a perna queimar, tremer, mas não via a droga da mão alcançar os pés.
Para finalizar o circuito, um salto - devido à minha altura e segundo os cálculos da digníssima Regina, eu teria que ser praticamente a Maurreen Maggi.
Depois do salto, quando eu já colocava os bofes pra fora e praticamente implorava por uma bombinha de asma (sim, eu ainda tinha bronquite pra ajudar!), ainda tinha que correr em busca de dois toquinhos em tempo recorde, em segundos...
Eu só poderia ter ficado de recuperação, o que fez com que meu martírio se estendesse por mais um mês de provas e atividades, porém um pouco diferentes.
Acho que, impressionada por minha habilidade, a professora resolveu inovar e aplicou prova teórica de regras de basquete.
Resultado: estudei, decorei e passei com 10 em educação física.
Fato é que eu tinha tudo pra ser uma nerd, se não fosse por duas passagens vermelhas na minha vida acadêmica, apesar de uma delas até poder me dar o título de "Nerd com Mérito".
Como para todo nerd, a educação física para mim (como eu já disse aqui, de novo a educação física!) era o momento mais aterrorizante de todos da escola. Em tudo, até em matemática, eu me virava e, se não desse pra tirar o 10, tirava o suficiente pra passar, mas em educação física, por mais que eu tentasse me virar, não dava.
Na quinta série, as aulas de Educação Física deixaram de ser o famoso Corre Cotia (que já me deixava em pânico) e passaram a ser divididas em dois tipos de aula: ginástica olímpica e jogos. Óbvio que eu não me dava bem em ginástica olímpica, nem nos jogos. Mas o que complicou foi que além de todas estas habilidades exigidas, eu ainda precisava fazer provas físicas.
As provas se dividiam em: abdominais, flexibilidade, corrida e salto, tudo com um valor médio padrão pra cada idade, e uma apresentação utilizando os movimentos aprendidos na ginástica olímpica. Pronto: fiquei de recuperação.
Nas apresentações de ginástica olímpica, tínhamos que fazer sozinhas movimentos na trava, no cavalo, usando uma música instumental qualquer. Como naquela época, eu ainda não havia sido apresentada à Capoeira, meus movimentos mais pareciam o de um boneco de posto. Acrescente aí uma boa dose de timidez e o fato de ser observada por todas as alunas da minha sala, quando não pelos outros alunos do colégio, já que as aulas eram antes do intervalo do recreio e eu, com esse nome com P, uma das últimas a se apresentar.
Para as outras provas, as físicas, o nível exigido era muito alto para uma menina de 10 anos, que não fazia atividade física nenhuma (nem o balé ou o jazz que todas as meninas da minha idade faziam), anêmica, alta, magrela e desengonçada como eu.
Baseada numa tabela de valores correspondentes à idade, a professora Regina chamava aluna por aluna para efetuar o circuito, enquanto as outras ficavam olhando e botando certa pressão do tipo: "Vai! Só mais 300!" (Pena que naquela época eu ainda não era muito esperta, Se fosse hoje, mandava todo mundo se f...!).
Primeiro: teste de abdominais. O objetivo era que se alcançasse ou ultrapasasse a meta de abdominais. A minha, de acordo com a idade, era 35. Eu já morria nos primeiros dez.
Em seguida, íamos para o teste de flexibilidade, em que teoricamente eu teria que alcançar o pé, ou passar dele, sentada, sem dobrar o joelho. Sentia a perna queimar, tremer, mas não via a droga da mão alcançar os pés.
Para finalizar o circuito, um salto - devido à minha altura e segundo os cálculos da digníssima Regina, eu teria que ser praticamente a Maurreen Maggi.
Depois do salto, quando eu já colocava os bofes pra fora e praticamente implorava por uma bombinha de asma (sim, eu ainda tinha bronquite pra ajudar!), ainda tinha que correr em busca de dois toquinhos em tempo recorde, em segundos...
Eu só poderia ter ficado de recuperação, o que fez com que meu martírio se estendesse por mais um mês de provas e atividades, porém um pouco diferentes.
Acho que, impressionada por minha habilidade, a professora resolveu inovar e aplicou prova teórica de regras de basquete.
Resultado: estudei, decorei e passei com 10 em educação física.
domingo, 29 de agosto de 2010
As crianças e a moda
E aí que eu fui na festinha de um ano do filho do meu primo. Lá estava o filho de cinco anos da minha outra prima:
- Poti, você veio de pijama?
- Vim...
- Por quê? Tava gostoso?
- Tava sim.
Lá também estava minha prima de 13 anos:
- Poti, esse tênis brilha no escuro?
- Não...
- Mas nem tem lugar pra colcar pilha?
- Não...
Resumindo: minha bermuda de R$ 150 da Colcci virou pijama e meu Adidas Stan Smith virou tênis Le Cheval com luzinha!
- Poti, você veio de pijama?
- Vim...
- Por quê? Tava gostoso?
- Tava sim.
Lá também estava minha prima de 13 anos:
- Poti, esse tênis brilha no escuro?
- Não...
- Mas nem tem lugar pra colcar pilha?
- Não...
Resumindo: minha bermuda de R$ 150 da Colcci virou pijama e meu Adidas Stan Smith virou tênis Le Cheval com luzinha!
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Comer, comer...
Eu sempre tive problemas com comida. Nunca gostei muito de nada, sempre fui enjoada, sempre comi pouco - do tipo que ou comia o cheeseburguer ou a batata frita, sabe, que não dava conta de comer o McLanche Feliz...
Certa vez, minha tia ganhou uma promoção do American Express que dava direito a um almoço com acompanhante num hotel chiquérrimo. O prato que seria servido era paella.

Lá fomos eu (que devia ter uns sete anos), minha mãe e minha tia, todas arrumadas, com vestidos, sapatos...
Toda chique, sentei e vi à minha frente uma infinidade de copos e talheres, o que já me deixava com certo pânico. Graças a Deus, enquanto esperávamos o prato, fui carinhosamente apresentada pela minha mãe a todas as ferramentas que seriam utilizadas ali.
Tudo ia muito bem e eu parecia ter esquecido que estava ali para um almoço. Até que vejo diante dos meus olhos um prato enorme, com uma montanha de paella maior ainda, em que eu via perninhas e coisas esquisitas por todos os lados, e, pra completar, olhavam fixamente pra mim dois lagostins que ocupavam o topo da montanha.
Não sei o que se passou pela minha cabeça naquele momento, mas no mínimo foi algo do tipo: "Meu Deus, vou ter que comer tudo isso? E o que esse bicho faz aí em cima?". Só sei que comecei a chorar desesperada, deixando minha mãe, tia e até o garçom sem saber o que fazer.
Resultado: o garçom teve de retirar o prato da minha frente e trazer bem menos quantidade, num prato de sobremesa e sem lagostim. Mas não teve jeito, não comi.
Graças a essa história, sou motivo de piada sempre que vou comer: "Não vai chorar, hein?!", mas eu não ligo. Na verdade, já me acostumei. E poderia até fazer um Top 10 Hora do Almoço:
1. Não vai chorar, hein?
2. Vai comer só isso? Não vai se engasgar!
3. Você nem devia almoçar...
4. Desse jeito vai dar prejuízo!
5. Não dá nem gosto fazer comida pra você.
6. Come mais um pouco, só mais um pouco...
7. Você não gostou da comida?
8. Ah, tudo isso pra não engordar?!
9. Nossa, Poti, que pouquinho.
10. Desse jeito, essa sua anemia vai virar leucemia.
Na verdade, ouvir isso da família, dos amigos mais próximos, ainda dá pra relevar, levar na brincadeira, mas... quando você ouve isso de pessoas que nunca conversaram mais de uma hora com você, dá vontade de recitar palavrões em vários idiomas.
Aí, eu me pergunto: por que as pessoas não cuidam de seus próprios pratos?! Eu não fico dizendo pras outras pessoas, coisas do tipo:
1. Vai comer tudo isso?!
2. Meu Deus, desse jeito você vai explodir!
3. Faz tempo que você não come?
4. Para de comer!
5. Outro prato de lasanha?!
6. Olha o colesterol...
7. Desse jeito, vai acabar a comida.
8. Veio da Somália?
9. Cadê você? Tá atrás do monte de arroz?
10. Você devia comer menos para emagrecer.
Certa vez, minha tia ganhou uma promoção do American Express que dava direito a um almoço com acompanhante num hotel chiquérrimo. O prato que seria servido era paella.

Lá fomos eu (que devia ter uns sete anos), minha mãe e minha tia, todas arrumadas, com vestidos, sapatos...
Toda chique, sentei e vi à minha frente uma infinidade de copos e talheres, o que já me deixava com certo pânico. Graças a Deus, enquanto esperávamos o prato, fui carinhosamente apresentada pela minha mãe a todas as ferramentas que seriam utilizadas ali.
Tudo ia muito bem e eu parecia ter esquecido que estava ali para um almoço. Até que vejo diante dos meus olhos um prato enorme, com uma montanha de paella maior ainda, em que eu via perninhas e coisas esquisitas por todos os lados, e, pra completar, olhavam fixamente pra mim dois lagostins que ocupavam o topo da montanha.
Não sei o que se passou pela minha cabeça naquele momento, mas no mínimo foi algo do tipo: "Meu Deus, vou ter que comer tudo isso? E o que esse bicho faz aí em cima?". Só sei que comecei a chorar desesperada, deixando minha mãe, tia e até o garçom sem saber o que fazer.
Resultado: o garçom teve de retirar o prato da minha frente e trazer bem menos quantidade, num prato de sobremesa e sem lagostim. Mas não teve jeito, não comi.
Graças a essa história, sou motivo de piada sempre que vou comer: "Não vai chorar, hein?!", mas eu não ligo. Na verdade, já me acostumei. E poderia até fazer um Top 10 Hora do Almoço:
1. Não vai chorar, hein?
2. Vai comer só isso? Não vai se engasgar!
3. Você nem devia almoçar...
4. Desse jeito vai dar prejuízo!
5. Não dá nem gosto fazer comida pra você.
6. Come mais um pouco, só mais um pouco...
7. Você não gostou da comida?
8. Ah, tudo isso pra não engordar?!
9. Nossa, Poti, que pouquinho.
10. Desse jeito, essa sua anemia vai virar leucemia.
Na verdade, ouvir isso da família, dos amigos mais próximos, ainda dá pra relevar, levar na brincadeira, mas... quando você ouve isso de pessoas que nunca conversaram mais de uma hora com você, dá vontade de recitar palavrões em vários idiomas.
Aí, eu me pergunto: por que as pessoas não cuidam de seus próprios pratos?! Eu não fico dizendo pras outras pessoas, coisas do tipo:
1. Vai comer tudo isso?!
2. Meu Deus, desse jeito você vai explodir!
3. Faz tempo que você não come?
4. Para de comer!
5. Outro prato de lasanha?!
6. Olha o colesterol...
7. Desse jeito, vai acabar a comida.
8. Veio da Somália?
9. Cadê você? Tá atrás do monte de arroz?
10. Você devia comer menos para emagrecer.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
quarta-feira, 12 de maio de 2010
"Vira de costas pra dar a manchete na bola!"
Pergunte a uma criança em fase escolar qual é a matéria que ela mais gosta e você ouvirá rapidamente: "Educação Física!". Eu, mais uma vez contrariando as estatísticas, nunca gostei dessa matéria. Na verdade, eu odiava.
Aulas de Educação Física são realmente torturantes para qualquer pessoa que, como eu, não tenha um pingo de habilidade para os esportes "normais". Parece que todo mudo nasce para jogar vôlei, futebol, basquete, handball... e fazer ginástica olímpica.
Óbvio que das duas vezes que fiquei de recuperação na escola, uma foi em Educação Física, graças à digníssima professora Regina que insistia em me tornar uma Daiane dos Santos.
Tínhamos aulas duas vezes por semana numa quadra cheia de pensamentos positivos sobre o esporte, tipo "Mente sã e corpo são". Uma das aulas era repleta de jogos com bola e outra de exercícios de ginástica olímpica. Não importa: nas aulas, eu ia muito bem até o aquecimento; depois, era uma tortura!
Nos jogos, como todo loser, eu sempre era a última a ser escolhida e, muitas vezes, ficava na reserva, no rodízio, em qualquer lugar... Mas eu ficava brava? Claro que não! Eu prefiria ficar lá vendo as meninas se matarem pra pegar uma bola e ficar com o braço roxo a ser a menina que ficaria com o braço roxo. Cheguei a ouvir de uma professora (excelente pedagoga, com muita noção de psicologia) que seria melhor eu jogar de costas pra rede, já que com minhas manchetes as bolas sempre iam para trás.
Espírito esportivo? Ah, era comigo! Um dia, queimei a menina mais forte da escola, mas como eu era a "loser", ela disse que não foi queimada. Como a bola estava na minha mão na hora da discussão, não tive dúvida: taquei com toda a força no meio da cara da "bonita" e ainda soltei um: "Pronto, queimei. Agora, você tá queimada!" Jogo de handball: "Passa logo a bola, Potira." Eu tinha acabado de colocar a mão na bola. Resultado: bola de handball no estômago da companheira de time, tacada com uma força tão grande que eu acho que não era minha.*
Como se não bastasse isso, ainda era obrigada a dar uma de Danielle Hipólito em treinos e apresentações com música e tudo mais. A tal da Regina armava cavalos, travas de equilíbrio e éramos obrigadas a dar saltos, cambalhotas, estrelas em cima dessas coisas, sem nunca termos sequer andado na trave de equilíbrio. Sem falar, já no colegial, na "tradicional" dancinha de comemoração do dia do Mackenzista, mas isso rende outro post!
Mas o melhor mesmo era o fim do bimestre quando éramos submetidas a provas de corrida, flexão, salto e abdominais. Com uma tabela e uma prancheta em punho, a infeliz verificava qual era o número ideal de flexões e abdominais que deveríamos fazer, além da distância e velocidade em que deveríamos correr. Como eu sempre fui grande e magra, minhas metas eram sempre dignas de atletas do primeiro escalão, o que significava que eram impossíeis pra mim. Assim, foi graças a essas malditas provas que consegui tirar 4.8 e ficar de recuperação.
Graças a Deus, a recuperação era uma prova escrita sobre regras de basquete. Tirei 10.
Aí, eu me pergunto: não podia ter sido tudo assim por escrito pra quem não tem aptidão?! Não poderia ter esportes alternativos, como patins in-line, skate, capoeira, judô, etc?!
Por muito tempo, a educação física foi pra mim uma humilhação e me botava um rótulo de "loser" na testa. Mas, como eu era um pouco esperta e, enquando alguns só exercitavam os músculos, eu também exercitava o cérebro, percebi que eu até poderia ser uma "loser" nos fundamentos do vôlei, mas andava bem de skate e de patins, coisas em que mais da metade da sala não sabia nem mesmo se manter em pé. E ainda fazia algo que ninguém no colégio fazia: jogava capoeira, fazia estrelinha (aú, na capoeira) no chão bem feita, nada de trava de equilíbrio ao som de Enya!
A escola é realmente muito injusta, viu?! Todo mundo nivelado de acordo com um mesmo padrão e, pior, avaliado por provas como se fosse uma inspeção do Inmetro.
Por que a tal da Regina nunca me deu um skate na Educação Física pra eu mostrar o que realmente sabia e gostava de fazer?!

* Vantagem de ser quieta: você nunca apronta descaradamente, então quando apronta, todo muno diz: "Ah, não, a Potira não fez isso, ela é muito na dela, tranquila." Ah, tá bom...
Aulas de Educação Física são realmente torturantes para qualquer pessoa que, como eu, não tenha um pingo de habilidade para os esportes "normais". Parece que todo mudo nasce para jogar vôlei, futebol, basquete, handball... e fazer ginástica olímpica.
Óbvio que das duas vezes que fiquei de recuperação na escola, uma foi em Educação Física, graças à digníssima professora Regina que insistia em me tornar uma Daiane dos Santos.
Tínhamos aulas duas vezes por semana numa quadra cheia de pensamentos positivos sobre o esporte, tipo "Mente sã e corpo são". Uma das aulas era repleta de jogos com bola e outra de exercícios de ginástica olímpica. Não importa: nas aulas, eu ia muito bem até o aquecimento; depois, era uma tortura!
Nos jogos, como todo loser, eu sempre era a última a ser escolhida e, muitas vezes, ficava na reserva, no rodízio, em qualquer lugar... Mas eu ficava brava? Claro que não! Eu prefiria ficar lá vendo as meninas se matarem pra pegar uma bola e ficar com o braço roxo a ser a menina que ficaria com o braço roxo. Cheguei a ouvir de uma professora (excelente pedagoga, com muita noção de psicologia) que seria melhor eu jogar de costas pra rede, já que com minhas manchetes as bolas sempre iam para trás.
Espírito esportivo? Ah, era comigo! Um dia, queimei a menina mais forte da escola, mas como eu era a "loser", ela disse que não foi queimada. Como a bola estava na minha mão na hora da discussão, não tive dúvida: taquei com toda a força no meio da cara da "bonita" e ainda soltei um: "Pronto, queimei. Agora, você tá queimada!" Jogo de handball: "Passa logo a bola, Potira." Eu tinha acabado de colocar a mão na bola. Resultado: bola de handball no estômago da companheira de time, tacada com uma força tão grande que eu acho que não era minha.*
Como se não bastasse isso, ainda era obrigada a dar uma de Danielle Hipólito em treinos e apresentações com música e tudo mais. A tal da Regina armava cavalos, travas de equilíbrio e éramos obrigadas a dar saltos, cambalhotas, estrelas em cima dessas coisas, sem nunca termos sequer andado na trave de equilíbrio. Sem falar, já no colegial, na "tradicional" dancinha de comemoração do dia do Mackenzista, mas isso rende outro post!
Mas o melhor mesmo era o fim do bimestre quando éramos submetidas a provas de corrida, flexão, salto e abdominais. Com uma tabela e uma prancheta em punho, a infeliz verificava qual era o número ideal de flexões e abdominais que deveríamos fazer, além da distância e velocidade em que deveríamos correr. Como eu sempre fui grande e magra, minhas metas eram sempre dignas de atletas do primeiro escalão, o que significava que eram impossíeis pra mim. Assim, foi graças a essas malditas provas que consegui tirar 4.8 e ficar de recuperação.
Graças a Deus, a recuperação era uma prova escrita sobre regras de basquete. Tirei 10.
Aí, eu me pergunto: não podia ter sido tudo assim por escrito pra quem não tem aptidão?! Não poderia ter esportes alternativos, como patins in-line, skate, capoeira, judô, etc?!
Por muito tempo, a educação física foi pra mim uma humilhação e me botava um rótulo de "loser" na testa. Mas, como eu era um pouco esperta e, enquando alguns só exercitavam os músculos, eu também exercitava o cérebro, percebi que eu até poderia ser uma "loser" nos fundamentos do vôlei, mas andava bem de skate e de patins, coisas em que mais da metade da sala não sabia nem mesmo se manter em pé. E ainda fazia algo que ninguém no colégio fazia: jogava capoeira, fazia estrelinha (aú, na capoeira) no chão bem feita, nada de trava de equilíbrio ao som de Enya!
A escola é realmente muito injusta, viu?! Todo mundo nivelado de acordo com um mesmo padrão e, pior, avaliado por provas como se fosse uma inspeção do Inmetro.
Por que a tal da Regina nunca me deu um skate na Educação Física pra eu mostrar o que realmente sabia e gostava de fazer?!

* Vantagem de ser quieta: você nunca apronta descaradamente, então quando apronta, todo muno diz: "Ah, não, a Potira não fez isso, ela é muito na dela, tranquila." Ah, tá bom...
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Sem essa de beber leite no copo!
Pediatras recomendam que crianças usem chupetas e mamadeiras, em média, até os dois anos de idade.
Comigo, não foi diferente: logo cedo, abandonei a chupeta, mas a mamadeira... Bom, a mamadeira foi um "pouco" depois.
Como toda criança anêmica, eu não gostava de comer, e a única forma de me manter alimentada era tomando mamadeira.
Minha avó caprichava no preparo, o que fazia com que uma mamadeira valesse por... uma feijoada, talvez! Era leite, Nescau, Mucilon (proibido pelo pediatra), ovo de pata, Biotônico fontoura... tudo, menos açúcar, claro! Isso evoluía, em outros momentos, para coca-cola, chá...
A primeira tentativa de me fazerem parar de tomar mamadeira foi na base da chantagem: "a gente compra um copo legal - o que significava dizer um copo em formato de bonequinho, com chapéu, sapatinho e canudinho - e te dá um 'Meu Primeiro Gradiente' (meu sonho de presente na época). Foi em vão: usei o copo umas duas vezes e não ganhei o gravador!
Na terceira série, minha melhor amiga era a Juliana. Como morávamos perto e voltávamos de perua pra casa juntas, vez por outra dormíamos uma na casa da outra. Resultado: vovó preparava duas mamadeiras - uma pra ela e outra pra mim. Isso mesmo!
Minha primeira viagem para fora do Brasil foi aos nove anos. Destino: Disneyworld! Todos continuavam tentando me fazer parar com a mamadeira e, nos Estados Unidos, realmente, ninguém precisaria se preocupar com a minha alimentação, pois McDonald's era uma coisa que eu comia (pelo menos meio cheeseburger!). Mas não foi bem o que aconteceu. O sabor era muito diferente, e eu, que sou simplesmente um luxo, ia morrer de fome em terras americanas.
Porém não falávmos inglês, mas, graças a nossa guia Ivana, fomos ao K-Mart e lá minha mãe comprou algo que, segundo a tal da Ivana, era leite em pó. Chegando ao hotel, lá foi a Dona Mirian preparar o "leitinho"... Ops! Não era leite em pó, era massa de bolo. "Valeu Ivana, sem palavras! Depois me passa o telefone da sua escola de inglês."
Não lembro ao certo quando eu tomei a difícil decisão: "Não vou tomar mais mamadeira." Estava tudo certo, a partir de então, eu só tomaria no copo, que àquela altura já não precisava mais ser com canudinho, bonezinho...
Surgiu mais uma viagem: Monte Verde. E, mais uma vez, o desespero tomou conta. Agora, com um agravante: o leite era "direto da vaquinha" e a "vaquinha da Potira" não toma leite com nata, não toma leite quente....
Apelamos para o plano B, com a colaboração da vovó e escondido da mamãe: eu levaria a mamadeira dentro do travesseiro e vovó levaria leite e nescau dentro da mala dela. Como ficaríamos em quartos separados, de manhã, eu tomaria o leitinho no quarto da vovó, escondida da mamãe.
Infelizmente, nosso plano foi por água abaixo nos primeiros momentos da viagem, quando minha mãe, preocupada com a minha insistência em carregar o travesseiro, resolveu "vistoriá-lo"! Já era!
Essas idas e vindas nesse caso de amor com a mamadeira durou por muitos anos...
Até que, aos 13 anos, já estava decidido que eu não iria mais tomar mamadeira. Óbvio que na segunda viagem à Disney, feita com essa mesma idade, tia Léa tratou de providenciar uma mamadeira chiquérrima no Free Shop pra que eu não corresse risco de morte por inanição. E ela foi usada algumas vezes durante a viagem.
Hoje, não tomo mais mamadeira (é claro!), mas confesso que era muito bom poder tomar meu leite, sem precisar levantar da cama, aproveitando mais um pouquinho do edredon quentinho e da cama macia... Ai, que preguiça!
Comigo, não foi diferente: logo cedo, abandonei a chupeta, mas a mamadeira... Bom, a mamadeira foi um "pouco" depois.
Como toda criança anêmica, eu não gostava de comer, e a única forma de me manter alimentada era tomando mamadeira.
Minha avó caprichava no preparo, o que fazia com que uma mamadeira valesse por... uma feijoada, talvez! Era leite, Nescau, Mucilon (proibido pelo pediatra), ovo de pata, Biotônico fontoura... tudo, menos açúcar, claro! Isso evoluía, em outros momentos, para coca-cola, chá...
A primeira tentativa de me fazerem parar de tomar mamadeira foi na base da chantagem: "a gente compra um copo legal - o que significava dizer um copo em formato de bonequinho, com chapéu, sapatinho e canudinho - e te dá um 'Meu Primeiro Gradiente' (meu sonho de presente na época). Foi em vão: usei o copo umas duas vezes e não ganhei o gravador!Na terceira série, minha melhor amiga era a Juliana. Como morávamos perto e voltávamos de perua pra casa juntas, vez por outra dormíamos uma na casa da outra. Resultado: vovó preparava duas mamadeiras - uma pra ela e outra pra mim. Isso mesmo!
Minha primeira viagem para fora do Brasil foi aos nove anos. Destino: Disneyworld! Todos continuavam tentando me fazer parar com a mamadeira e, nos Estados Unidos, realmente, ninguém precisaria se preocupar com a minha alimentação, pois McDonald's era uma coisa que eu comia (pelo menos meio cheeseburger!). Mas não foi bem o que aconteceu. O sabor era muito diferente, e eu, que sou simplesmente um luxo, ia morrer de fome em terras americanas.
Porém não falávmos inglês, mas, graças a nossa guia Ivana, fomos ao K-Mart e lá minha mãe comprou algo que, segundo a tal da Ivana, era leite em pó. Chegando ao hotel, lá foi a Dona Mirian preparar o "leitinho"... Ops! Não era leite em pó, era massa de bolo. "Valeu Ivana, sem palavras! Depois me passa o telefone da sua escola de inglês."Não lembro ao certo quando eu tomei a difícil decisão: "Não vou tomar mais mamadeira." Estava tudo certo, a partir de então, eu só tomaria no copo, que àquela altura já não precisava mais ser com canudinho, bonezinho...
Surgiu mais uma viagem: Monte Verde. E, mais uma vez, o desespero tomou conta. Agora, com um agravante: o leite era "direto da vaquinha" e a "vaquinha da Potira" não toma leite com nata, não toma leite quente....
Apelamos para o plano B, com a colaboração da vovó e escondido da mamãe: eu levaria a mamadeira dentro do travesseiro e vovó levaria leite e nescau dentro da mala dela. Como ficaríamos em quartos separados, de manhã, eu tomaria o leitinho no quarto da vovó, escondida da mamãe.
Infelizmente, nosso plano foi por água abaixo nos primeiros momentos da viagem, quando minha mãe, preocupada com a minha insistência em carregar o travesseiro, resolveu "vistoriá-lo"! Já era!
Essas idas e vindas nesse caso de amor com a mamadeira durou por muitos anos...
Até que, aos 13 anos, já estava decidido que eu não iria mais tomar mamadeira. Óbvio que na segunda viagem à Disney, feita com essa mesma idade, tia Léa tratou de providenciar uma mamadeira chiquérrima no Free Shop pra que eu não corresse risco de morte por inanição. E ela foi usada algumas vezes durante a viagem.
Hoje, não tomo mais mamadeira (é claro!), mas confesso que era muito bom poder tomar meu leite, sem precisar levantar da cama, aproveitando mais um pouquinho do edredon quentinho e da cama macia... Ai, que preguiça!
sábado, 24 de abril de 2010
Se enamora...
Quando eu era pequena, se enamorar era assim:
Aí, eu cresci e, agora, se enamorar é assim:
É, parece que não mudou muita coisa...
Aí, eu cresci e, agora, se enamorar é assim:
É, parece que não mudou muita coisa...
terça-feira, 6 de abril de 2010
A sinceridade das crianças
É por isso que as crianças são legais... porque elas são muito sinceras!
"Eu queria ir na Xuxa..."
"Um beijo pra senhora..."
"Eu queria ir na Xuxa..."
"Um beijo pra senhora..."
terça-feira, 28 de julho de 2009
Aula de inglês
Para quem tem alguma dificuldade em aprender o idioma, aqui vai uma dica de exercício de pronúncia.
Porque as crianças, sem dúvida, têm muito a ensinar...
- Say: "Whatever"
- Say: "Blood"
- Say: "Firetruck"
Porque as crianças, sem dúvida, têm muito a ensinar...
- Say: "Whatever"
- Say: "Blood"
- Say: "Firetruck"
Assinar:
Comentários (Atom)