Uma família. A avó, o filho, a filha e a neta acabando de almoçar quando a garçonete se aproxima querendo ser gentil com a velhinha:
Garçonete: - Vocês vão querer sobremesa? A senhora aceita: temos sorvete de tapioca, creme de cupuaçu, goiabada frita...?
Velhinha: - Ah, não, não quero, eu tenho Chocotone na minha casa!
(fim de 2010)
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quarta-feira, 5 de outubro de 2011
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Conversas da mesa ao lado
Uma família. A avó, o filho, a filha e a neta acabando de almoçar quando a garçonete se aproxima querendo ser gentil com a velhinha:
Garçonete: - Vocês vão querer sobremesa? A senhora aceita: temos sorvete de tapioca, creme de cupuaçu, goiabada frita...?
Velhinha: - Ah, não, não quero, eu tenho Chocotone na minha casa!
Garçonete: - Vocês vão querer sobremesa? A senhora aceita: temos sorvete de tapioca, creme de cupuaçu, goiabada frita...?
Velhinha: - Ah, não, não quero, eu tenho Chocotone na minha casa!
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Na kebaberia...
- Oi. Eu queria um kebab de kafka.
- De kafta?
- Ah é! De kafka vem com uma barata dentro, né?!
...
- Desculpa, moça, não entendi...
- Nada não. Só o kebab e uma coca mesmo.
(Mais um episódia de "A surreal vida de Potira, a sem noção")
- De kafta?
- Ah é! De kafka vem com uma barata dentro, né?!
...
- Desculpa, moça, não entendi...
- Nada não. Só o kebab e uma coca mesmo.
(Mais um episódia de "A surreal vida de Potira, a sem noção")
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
E a globalização continua...
Eu já achava o tal do Yakissoba Yah! uma mistura danada. Hoje, voltei lá e descobri mais algumas inovações.
O cardápio agora inclui Yakissoba (prato chinês, ok?!) com molho japonês, chinês, gengibre e, acredite se quiser, INDIANO.
No quesito "rolinhos da primavera", além do tradicional sabor Legumes, agora eles vendem as versões Chocolate e Goiabada!
Caramba, daqui a pouco vai ser yakissoba com molho de carne seca e abóbora e rolinho de açaí.
O cardápio agora inclui Yakissoba (prato chinês, ok?!) com molho japonês, chinês, gengibre e, acredite se quiser, INDIANO.
No quesito "rolinhos da primavera", além do tradicional sabor Legumes, agora eles vendem as versões Chocolate e Goiabada!
Caramba, daqui a pouco vai ser yakissoba com molho de carne seca e abóbora e rolinho de açaí.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Comer, comer...
Eu sempre tive problemas com comida. Nunca gostei muito de nada, sempre fui enjoada, sempre comi pouco - do tipo que ou comia o cheeseburguer ou a batata frita, sabe, que não dava conta de comer o McLanche Feliz...
Certa vez, minha tia ganhou uma promoção do American Express que dava direito a um almoço com acompanhante num hotel chiquérrimo. O prato que seria servido era paella.

Lá fomos eu (que devia ter uns sete anos), minha mãe e minha tia, todas arrumadas, com vestidos, sapatos...
Toda chique, sentei e vi à minha frente uma infinidade de copos e talheres, o que já me deixava com certo pânico. Graças a Deus, enquanto esperávamos o prato, fui carinhosamente apresentada pela minha mãe a todas as ferramentas que seriam utilizadas ali.
Tudo ia muito bem e eu parecia ter esquecido que estava ali para um almoço. Até que vejo diante dos meus olhos um prato enorme, com uma montanha de paella maior ainda, em que eu via perninhas e coisas esquisitas por todos os lados, e, pra completar, olhavam fixamente pra mim dois lagostins que ocupavam o topo da montanha.
Não sei o que se passou pela minha cabeça naquele momento, mas no mínimo foi algo do tipo: "Meu Deus, vou ter que comer tudo isso? E o que esse bicho faz aí em cima?". Só sei que comecei a chorar desesperada, deixando minha mãe, tia e até o garçom sem saber o que fazer.
Resultado: o garçom teve de retirar o prato da minha frente e trazer bem menos quantidade, num prato de sobremesa e sem lagostim. Mas não teve jeito, não comi.
Graças a essa história, sou motivo de piada sempre que vou comer: "Não vai chorar, hein?!", mas eu não ligo. Na verdade, já me acostumei. E poderia até fazer um Top 10 Hora do Almoço:
1. Não vai chorar, hein?
2. Vai comer só isso? Não vai se engasgar!
3. Você nem devia almoçar...
4. Desse jeito vai dar prejuízo!
5. Não dá nem gosto fazer comida pra você.
6. Come mais um pouco, só mais um pouco...
7. Você não gostou da comida?
8. Ah, tudo isso pra não engordar?!
9. Nossa, Poti, que pouquinho.
10. Desse jeito, essa sua anemia vai virar leucemia.
Na verdade, ouvir isso da família, dos amigos mais próximos, ainda dá pra relevar, levar na brincadeira, mas... quando você ouve isso de pessoas que nunca conversaram mais de uma hora com você, dá vontade de recitar palavrões em vários idiomas.
Aí, eu me pergunto: por que as pessoas não cuidam de seus próprios pratos?! Eu não fico dizendo pras outras pessoas, coisas do tipo:
1. Vai comer tudo isso?!
2. Meu Deus, desse jeito você vai explodir!
3. Faz tempo que você não come?
4. Para de comer!
5. Outro prato de lasanha?!
6. Olha o colesterol...
7. Desse jeito, vai acabar a comida.
8. Veio da Somália?
9. Cadê você? Tá atrás do monte de arroz?
10. Você devia comer menos para emagrecer.
Certa vez, minha tia ganhou uma promoção do American Express que dava direito a um almoço com acompanhante num hotel chiquérrimo. O prato que seria servido era paella.

Lá fomos eu (que devia ter uns sete anos), minha mãe e minha tia, todas arrumadas, com vestidos, sapatos...
Toda chique, sentei e vi à minha frente uma infinidade de copos e talheres, o que já me deixava com certo pânico. Graças a Deus, enquanto esperávamos o prato, fui carinhosamente apresentada pela minha mãe a todas as ferramentas que seriam utilizadas ali.
Tudo ia muito bem e eu parecia ter esquecido que estava ali para um almoço. Até que vejo diante dos meus olhos um prato enorme, com uma montanha de paella maior ainda, em que eu via perninhas e coisas esquisitas por todos os lados, e, pra completar, olhavam fixamente pra mim dois lagostins que ocupavam o topo da montanha.
Não sei o que se passou pela minha cabeça naquele momento, mas no mínimo foi algo do tipo: "Meu Deus, vou ter que comer tudo isso? E o que esse bicho faz aí em cima?". Só sei que comecei a chorar desesperada, deixando minha mãe, tia e até o garçom sem saber o que fazer.
Resultado: o garçom teve de retirar o prato da minha frente e trazer bem menos quantidade, num prato de sobremesa e sem lagostim. Mas não teve jeito, não comi.
Graças a essa história, sou motivo de piada sempre que vou comer: "Não vai chorar, hein?!", mas eu não ligo. Na verdade, já me acostumei. E poderia até fazer um Top 10 Hora do Almoço:
1. Não vai chorar, hein?
2. Vai comer só isso? Não vai se engasgar!
3. Você nem devia almoçar...
4. Desse jeito vai dar prejuízo!
5. Não dá nem gosto fazer comida pra você.
6. Come mais um pouco, só mais um pouco...
7. Você não gostou da comida?
8. Ah, tudo isso pra não engordar?!
9. Nossa, Poti, que pouquinho.
10. Desse jeito, essa sua anemia vai virar leucemia.
Na verdade, ouvir isso da família, dos amigos mais próximos, ainda dá pra relevar, levar na brincadeira, mas... quando você ouve isso de pessoas que nunca conversaram mais de uma hora com você, dá vontade de recitar palavrões em vários idiomas.
Aí, eu me pergunto: por que as pessoas não cuidam de seus próprios pratos?! Eu não fico dizendo pras outras pessoas, coisas do tipo:
1. Vai comer tudo isso?!
2. Meu Deus, desse jeito você vai explodir!
3. Faz tempo que você não come?
4. Para de comer!
5. Outro prato de lasanha?!
6. Olha o colesterol...
7. Desse jeito, vai acabar a comida.
8. Veio da Somália?
9. Cadê você? Tá atrás do monte de arroz?
10. Você devia comer menos para emagrecer.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
A diferença entre recheio e cobertura
ATENÇÃO!
Só pra constar...
Pizza não tem recheio. Pizza tem cobertura.
Pastel, torta, empanada, empada, coxinha, isso tem recheio.
Só pra constar...
Pizza não tem recheio. Pizza tem cobertura.
Pastel, torta, empanada, empada, coxinha, isso tem recheio.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Sem fastio, com fome de tudo!
Eu não tenho muito que fazer ultimamente, consequentemente, só me resta comer, beber...
Dessa falta do que fazer, veio a ideia – vamos fazer um post sobre algo que realmente está fazendo parte da minha vida agora. Eu poderia ter postado uma receita, mas aí, seria muito mentiroso da minha parte, já que eu nunca cozinho nada, iria ter que copiar alguma da Palmirinha Onofre (que também está fazendo parte da minha vida ultimamente!
Assim, eu elegi as melhores músicas sobre comida e bebida (na minha opinião):
1. Rexeita da Xuxa – Xuxa:
Nossa rainha, gravou a canção no Xegundo Xou da Xuxa e, com toda a inocência que pode ser percebida em sua voz doce e suave, como a de uma criança (hahahaha), interpreta versos como: “Tem pêra, tem! Tem leite, tem! Se tem maçã, então tá bom!” Quantas vezes cantei e dancei junto com a Rainha, às 8 horas da manhã, no café-da-manhã da Xuxa... O mais legal é que eu nunca comi nada do que ela cantava na música no café da manhã – enquanto ela comia frutas, café, manteiga, pão, biscoito... Eu passava muito bem com o meu leite com chocolate. Mas tudo bem, se tem maçã, então tá bom! E o melhor: ainda dá "pra gastar as energias com a loirinha" (bizarra)!
2. Suco de tangerina – Beastie Boys:
Esta é sem dúvida a melhor, não por ser “Suco de tangerina”, mas por ser Beastie Boys. Li num site que a faixa, do álbum instrumental “The Mix-Up”, foi uma homenagem dos caras a Jorge Ben e Brigitte Bardot. Eu recomendo boas doses diárias!
3. Olha banana, olha o baneiro - Jorge Ben (?):
Essa é a trilha sonora da minha avó. Ela não pode passar num mercado, quitanda, sacolão, feira, na banca do Zé, sem comprar uma bananinha... Na verdade, ela não passa nem perto da fruteira sem pegar banana.
4. Pinga – Pato Fu:
Em homenagem aos meus amigos bêbados, que já foram homenageados com a diva Heleninha Roitmann.
5. Chocolate – Tim Maia:
Eu, com certeza, não poderia deixar de fora essa música. Só ficaria de fora se tivesse a música “Sorvete”!
Menção honrosa à Chá de Cannabis, de Kussunduola, clássico do reggae maconheiro, com a letra mais nada a ver que eu já ouvi (lata d´água/mulata d´água?!)! rs...
Incluiria ainda na lista: Bolo de ameixa, da Mundo Livre S/A; Chá verde, da Tiê; Visgo de jaca, da Céu (Martinho da Vila)
Post inspirado em Fome de tudo, da Nação Zumbi! Chila, relê, dormilindró!
Dessa falta do que fazer, veio a ideia – vamos fazer um post sobre algo que realmente está fazendo parte da minha vida agora. Eu poderia ter postado uma receita, mas aí, seria muito mentiroso da minha parte, já que eu nunca cozinho nada, iria ter que copiar alguma da Palmirinha Onofre (que também está fazendo parte da minha vida ultimamente!
Assim, eu elegi as melhores músicas sobre comida e bebida (na minha opinião):
1. Rexeita da Xuxa – Xuxa:
Nossa rainha, gravou a canção no Xegundo Xou da Xuxa e, com toda a inocência que pode ser percebida em sua voz doce e suave, como a de uma criança (hahahaha), interpreta versos como: “Tem pêra, tem! Tem leite, tem! Se tem maçã, então tá bom!” Quantas vezes cantei e dancei junto com a Rainha, às 8 horas da manhã, no café-da-manhã da Xuxa... O mais legal é que eu nunca comi nada do que ela cantava na música no café da manhã – enquanto ela comia frutas, café, manteiga, pão, biscoito... Eu passava muito bem com o meu leite com chocolate. Mas tudo bem, se tem maçã, então tá bom! E o melhor: ainda dá "pra gastar as energias com a loirinha" (bizarra)!
2. Suco de tangerina – Beastie Boys:
Esta é sem dúvida a melhor, não por ser “Suco de tangerina”, mas por ser Beastie Boys. Li num site que a faixa, do álbum instrumental “The Mix-Up”, foi uma homenagem dos caras a Jorge Ben e Brigitte Bardot. Eu recomendo boas doses diárias!
3. Olha banana, olha o baneiro - Jorge Ben (?):
Essa é a trilha sonora da minha avó. Ela não pode passar num mercado, quitanda, sacolão, feira, na banca do Zé, sem comprar uma bananinha... Na verdade, ela não passa nem perto da fruteira sem pegar banana.
4. Pinga – Pato Fu:
Em homenagem aos meus amigos bêbados, que já foram homenageados com a diva Heleninha Roitmann.
5. Chocolate – Tim Maia:
Eu, com certeza, não poderia deixar de fora essa música. Só ficaria de fora se tivesse a música “Sorvete”!
Menção honrosa à Chá de Cannabis, de Kussunduola, clássico do reggae maconheiro, com a letra mais nada a ver que eu já ouvi (lata d´água/mulata d´água?!)! rs...
Incluiria ainda na lista: Bolo de ameixa, da Mundo Livre S/A; Chá verde, da Tiê; Visgo de jaca, da Céu (Martinho da Vila)
Post inspirado em Fome de tudo, da Nação Zumbi! Chila, relê, dormilindró!
segunda-feira, 30 de março de 2009
Risoflora
A Risoflora que eu conhecia era essa do Recife...
Agora, eu conheço mais uma, mas da Itália...
Agora, eu conheço mais uma, mas da Itália...
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Que barra, hein?!
Sexta-feira chuvosa, passo na Bella Paulista pra comprar pão e no caixa – sempre cheio de guloseimas gostosas, vejo uma que parece bem interessante: barrinha de cereal.
Calma, eu sei que barrinha de cereal não é nada interessante, mas por recomendação médica, preciso comer algumas entre as refeições, então quando vejo uma um pouco diferente compro pra experimentar e pra variar.
Esta era de fato interessante: embalagem legal, uma caixinha pequena feita de kraft, meio rústica, típica de produto “ecologicamente correto”, do jeito que eu gosto. Peguei pra conferir o sabor, maçã/uva... Humm, parece bem interessante! 95 calorias, sem açúcar, rica em fibras... Em letras menores: barra de frutas e castanhas. Vou levar!

Segunda-feira, dia de trabalhar, levo a barrinha para comer na hora que me der fome e para aguentar até as 15h30, 16h, horário que costumo almoçar.
Lá pelas 13h, resolvo comer minha eBar (esse ‘e’ com certeza é de ‘eco’). Nada de especial, pedaços de maçã, pedaços não identificados, como diria Willy Wonka: um monte de casquinhas de lápis apontados, aquelas que ficam dentro do apontador.
Enquanto como, olho a embalagem que é realmente bonitinha, descubro inclusive que é um produto feito para exportação, embalado em papel filme biodegradável, com embalagem 100% reciclável e vejo um texto bilíngüe que, sem resistir, começo a ler, vendo até onde vai a retórica humana e a incapacidade de cortar o que está a mais, tão prezada por Guimarães Rosa e Samuel Beckett:
Diante disto, preciso comentar:
1. Alguém pode me explicar o que o sabor tem a ver com a leveza do ar? Pra mim, não é tão fácil comparar. Meio Suflair isso...
2. A uva pinot noir é uma das principais uvas das viníferas européias, quer dizer, uma uva da Borgonha com a qual são produzidas as melhores (e mais baratas) safras de vinho. Sim, vinho, não barra de cereal. Quer dizer: “Vamos colocar o nome de uma uva francesa para dar um ar mais elegante ao texto.” “Que tal pinot noir?” “Ah, mas eu tô vendo aqui que essa é pra vinho.” “Não tem problema, ninguém vai prestar muita atenção nisso mesmo. Nos ingredientes, a gente coloca só uva.”
“discreto embora pecaminoso gosto da maçã” - Nossa, foi longe no texto, hein? Adão e Eva, paraíso, árvore do bem e do mal, serpente, maçã...
3. Barra Air da linha Elements – Parece mais um modelo da Nike, o Nike Air, da linha Elements.
4. Ser rica em fibras e sem açúcar torna mesmo essa barrinha ainda mais irresistível, não?
5. Como pode escrever 3 períodos, com apenas 1 vírgula, sendo que um deles é bem longo?! E como assim, 7 adjetivos em 4 linhas?!?!? Alguém por favor manda um Comunicação em prosa moderna – Aprenda a escrever aprendendo a pensar pro redator, por favor!
Talvez seja melhor eu mudar de lanchinho...
Uai, não tem barrinha de cereal na letra?!
Calma, eu sei que barrinha de cereal não é nada interessante, mas por recomendação médica, preciso comer algumas entre as refeições, então quando vejo uma um pouco diferente compro pra experimentar e pra variar.
Esta era de fato interessante: embalagem legal, uma caixinha pequena feita de kraft, meio rústica, típica de produto “ecologicamente correto”, do jeito que eu gosto. Peguei pra conferir o sabor, maçã/uva... Humm, parece bem interessante! 95 calorias, sem açúcar, rica em fibras... Em letras menores: barra de frutas e castanhas. Vou levar!
Segunda-feira, dia de trabalhar, levo a barrinha para comer na hora que me der fome e para aguentar até as 15h30, 16h, horário que costumo almoçar.
Lá pelas 13h, resolvo comer minha eBar (esse ‘e’ com certeza é de ‘eco’). Nada de especial, pedaços de maçã, pedaços não identificados, como diria Willy Wonka: um monte de casquinhas de lápis apontados, aquelas que ficam dentro do apontador.
Enquanto como, olho a embalagem que é realmente bonitinha, descubro inclusive que é um produto feito para exportação, embalado em papel filme biodegradável, com embalagem 100% reciclável e vejo um texto bilíngüe que, sem resistir, começo a ler, vendo até onde vai a retórica humana e a incapacidade de cortar o que está a mais, tão prezada por Guimarães Rosa e Samuel Beckett:
O sabor suave desta barra é facilmente comparado à leveza do ar. A complexidade sutil da uva pinot noir mescla com o discreto embora pecaminoso gosto da maçã na barra Air da linha Elements. Por ser rica em fibra e sem adição de açúcar, essa tentação se torna ainda mais irresistível.
Diante disto, preciso comentar:
1. Alguém pode me explicar o que o sabor tem a ver com a leveza do ar? Pra mim, não é tão fácil comparar. Meio Suflair isso...
2. A uva pinot noir é uma das principais uvas das viníferas européias, quer dizer, uma uva da Borgonha com a qual são produzidas as melhores (e mais baratas) safras de vinho. Sim, vinho, não barra de cereal. Quer dizer: “Vamos colocar o nome de uma uva francesa para dar um ar mais elegante ao texto.” “Que tal pinot noir?” “Ah, mas eu tô vendo aqui que essa é pra vinho.” “Não tem problema, ninguém vai prestar muita atenção nisso mesmo. Nos ingredientes, a gente coloca só uva.”
“discreto embora pecaminoso gosto da maçã” - Nossa, foi longe no texto, hein? Adão e Eva, paraíso, árvore do bem e do mal, serpente, maçã...
3. Barra Air da linha Elements – Parece mais um modelo da Nike, o Nike Air, da linha Elements.
4. Ser rica em fibras e sem açúcar torna mesmo essa barrinha ainda mais irresistível, não?
5. Como pode escrever 3 períodos, com apenas 1 vírgula, sendo que um deles é bem longo?! E como assim, 7 adjetivos em 4 linhas?!?!? Alguém por favor manda um Comunicação em prosa moderna – Aprenda a escrever aprendendo a pensar pro redator, por favor!
Talvez seja melhor eu mudar de lanchinho...
Uai, não tem barrinha de cereal na letra?!
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