No elevador do Shopping Lapa (Isso, existe um shopping na Lapa. Não recomendo!):
Minha tia: Por favor, a gente vai pra praça de alimentação... Último andar são os cinemas... Quantos cinemas têm aqui?
Ascensorista: Não sei, não sou curiosa.
No currículo dela devia estar em destaque: FACILIDADE DE LIDAR COM O PÚBLICO.
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quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Vovó e as novelas do SBT
- Ah, essa aí é Carnaval de Paixão. Ainda não começou a Ana Raia.
- Canavial, vó, Canavial de Paixões. E não, ainda não começou Ana Raio e Zé Trovão.
- Canavial, vó, Canavial de Paixões. E não, ainda não começou Ana Raio e Zé Trovão.
domingo, 29 de agosto de 2010
As crianças e a moda
E aí que eu fui na festinha de um ano do filho do meu primo. Lá estava o filho de cinco anos da minha outra prima:
- Poti, você veio de pijama?
- Vim...
- Por quê? Tava gostoso?
- Tava sim.
Lá também estava minha prima de 13 anos:
- Poti, esse tênis brilha no escuro?
- Não...
- Mas nem tem lugar pra colcar pilha?
- Não...
Resumindo: minha bermuda de R$ 150 da Colcci virou pijama e meu Adidas Stan Smith virou tênis Le Cheval com luzinha!
- Poti, você veio de pijama?
- Vim...
- Por quê? Tava gostoso?
- Tava sim.
Lá também estava minha prima de 13 anos:
- Poti, esse tênis brilha no escuro?
- Não...
- Mas nem tem lugar pra colcar pilha?
- Não...
Resumindo: minha bermuda de R$ 150 da Colcci virou pijama e meu Adidas Stan Smith virou tênis Le Cheval com luzinha!
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Rainha da sucata
Meu avô era um lixeiro. Não que ele fosse lixeiro por profissão, ele gostava mesmo era de "reciclar, levar coisas que as pessoas achavam inúteis pra casa e quem sabe, um dia, aproveitar.
Assim, não podia ver um monte de entulho na rua, um monte de coisa jogada sem dono, que ia correndo dar uma olhadinha, mexer em alguma coisa, pois quem sabe ali encontrasse um parafuso, um preguinho, um pedaço de madeira, um pedaço de cano...
Chegava em casa sempre com uma madeirinha, uma porca, um parafuso, que, quando a gente menos esperasse, seria usado no conserto de alguma coisa em casa ou no sítio. Ele sempre dizia: "Quem guarda tem", em qualquer circunstância. E ele sempre tinha.
Lembro de uma vez em que ele chegou em casa trazendo uma pilha com uns 10 discos de vinil, obviamente, encontrados no lixo. Confesso que não dei muita bola na hora, mas pouco tempo depois, vi que ali estavam clássicos do funk e do soul da melhor qualidade - Parliament, George Clinton, Marvin Gaye, Al Green, Sly & The Family Stone e outros que eu não lembro o nome, mas ele nem fazia ideia disso.
Certa vez, na volta da escola, ao lado de uma tampa de bueiro estavam vários rolos de fios de cobre, outros fios plásticos e muitos preguinhos, porquinhas, rosquinhas, parafusinhos. Apesar de estar claro que ali estavam pessoas trabalhando dentro da galeria, não tivemos dúvida, nos abaixamos e começamos a catar o máximo de coisas possíveis. Resultado: cheguei em casa com fios de cobre e parafusos dentro da mochila (ainda bem que ele sempre carregou minha mochila!).
Herdei o costume de meu avô. Desde pequena, ele me ensinou a sempre andar prestando bastante atenção, de modo que se encontrasse alguma coisa útil jogada, levasse para casa. Apesar de minha mãe e minha vó que moram comigo odiarem, sou hoje a maior armazenadora de lixos e tranqueiras que ninguém quer.
De recortes de jornal falando sobre como será o planeta em 2010 a envelopes usados no último emprego, passando por catálogos de editoras, parafusos e buchas de prateleiras que não existem, chapas de inox e pedaços de arame usados em trabalhos de faculdade, caixas e até mesmo canudos de diplomas, se precisar de alguma coisa, basta me procurar.
Assim, não podia ver um monte de entulho na rua, um monte de coisa jogada sem dono, que ia correndo dar uma olhadinha, mexer em alguma coisa, pois quem sabe ali encontrasse um parafuso, um preguinho, um pedaço de madeira, um pedaço de cano...
Chegava em casa sempre com uma madeirinha, uma porca, um parafuso, que, quando a gente menos esperasse, seria usado no conserto de alguma coisa em casa ou no sítio. Ele sempre dizia: "Quem guarda tem", em qualquer circunstância. E ele sempre tinha.
Lembro de uma vez em que ele chegou em casa trazendo uma pilha com uns 10 discos de vinil, obviamente, encontrados no lixo. Confesso que não dei muita bola na hora, mas pouco tempo depois, vi que ali estavam clássicos do funk e do soul da melhor qualidade - Parliament, George Clinton, Marvin Gaye, Al Green, Sly & The Family Stone e outros que eu não lembro o nome, mas ele nem fazia ideia disso.
Certa vez, na volta da escola, ao lado de uma tampa de bueiro estavam vários rolos de fios de cobre, outros fios plásticos e muitos preguinhos, porquinhas, rosquinhas, parafusinhos. Apesar de estar claro que ali estavam pessoas trabalhando dentro da galeria, não tivemos dúvida, nos abaixamos e começamos a catar o máximo de coisas possíveis. Resultado: cheguei em casa com fios de cobre e parafusos dentro da mochila (ainda bem que ele sempre carregou minha mochila!).
Herdei o costume de meu avô. Desde pequena, ele me ensinou a sempre andar prestando bastante atenção, de modo que se encontrasse alguma coisa útil jogada, levasse para casa. Apesar de minha mãe e minha vó que moram comigo odiarem, sou hoje a maior armazenadora de lixos e tranqueiras que ninguém quer.
De recortes de jornal falando sobre como será o planeta em 2010 a envelopes usados no último emprego, passando por catálogos de editoras, parafusos e buchas de prateleiras que não existem, chapas de inox e pedaços de arame usados em trabalhos de faculdade, caixas e até mesmo canudos de diplomas, se precisar de alguma coisa, basta me procurar.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Ei, meu amigo Charlie Brown...
Sempre achei o Benito di Paula meio esquisito, mas o engraçado é que, por mais que o achasse estranho, sua imagem de paletozinho cinza, tocando piano e entoando versos como “Ei, meu amigo Charlie Brown” nunca saíram da minha cabeça. Talvez isso tenha acontecido por causa do Charlie Brown, do Snoopy, mas acho que não...
Quando eu era pequena, muitas tardes de domingo eram passadas na casa da “Tia Neyde”. Ela nunca foi minha tia, era prima, mas por ser mais velha do que eu, naturalmente, virou “tia”.
A casa ficava (fica ainda) na Lapa e lá reuniam-se os primos em volta da mesa da cozinha para conversar (o que incluía principalmente falar mal de uma boa parte da família que não estava presente), batucar, cantar, comer, beber (e isso eles faziam muito!), etc.
A reunião não se limitava à cozinha e ia para o quintal, onde ficavam estacionados os carros e onde eu e meus primos da mesma idade brincávamos na rampa que ia em direção à rua, na laje, na parte de cima, onde havia um pé de alguma coisa – se eu não me engano jaboticaba – e uma balança, feita pelo Tio Zé (que também não era tio, era primo).
Além das crianças, os mais velhos também iam para fora e sentavam na rampa, onde cantavam – muitos bêbados, outros nem tanto – e continuavam a conversar...
A reunião de domingo não se limitava à família e a vizinhança, bem conhecida por eles, também costumava participar com personagens inusitados e, aqui, entra o Benito di Paula.
Entre os vizinhos – a solteirona do lado, Nancy; o alemão amigo do Tio Damas, o patriarca da família, conhecido pelo apelido Schön... Mas era justamente no fim da tarde, na hora da “Porta da esperança”, do Silvio, que chegava também a Vi, namorada do Tio Damas, e ele, o "meu" Benito di Paula, oops, o Tom.
O Tom sempre foi uma figura, no mínimo, esquisita. Sempre magrinho, cabelos grisalhos, com seu paletozinho cinza, sapatos pretos e camisa branca, ele aparecia nessas reuniões, como se fosse da família e participava de todas as conversas, fumando seu cigarrinho, contando histórias difícies de entender, pois o que ele falava em estado normal já era difícil, bêbado então...
Fato é que nunca vi o Tom cantar, nunca vi tocar piano, e ele sequer falava no Charlie Brown, mas era olhar pra ele e ver Benito di Paula. Na verdade, eu sempre tive a certeza de que ele era realmente o Benito e até achava legal ele ir ao meu aniversário, viajar com a gente (eu acho que ele viajou uma vez, mas não lembro), tipo: “O Benito di Paula foi ao meu aniversário, não é o máximo?!”
Enfim, o tempo passou, as reuniões aos finais de semana pararam de acontecer, Tio Damas e Vi faleceram, Tio Zé mudou, Tia Neyde mudou, não dá mais pra ficar sentada na rampa brincando, a “Porta da Esperança” não passa mais, Tom sumiu e, com ele, Benito di Paula.
Na realidade, outro dia, ele apareceu na TV, mas não era mais o mesmo, faltava o piano, o paletozinho, parecia mais um velhinho decrépito do que o amigo do Charlie Brown... Talvez seja porque o meu Benito di Paula nunca tenha sido aquele da TV, mas só o nosso amigo Tom.
Quando eu era pequena, muitas tardes de domingo eram passadas na casa da “Tia Neyde”. Ela nunca foi minha tia, era prima, mas por ser mais velha do que eu, naturalmente, virou “tia”.
A casa ficava (fica ainda) na Lapa e lá reuniam-se os primos em volta da mesa da cozinha para conversar (o que incluía principalmente falar mal de uma boa parte da família que não estava presente), batucar, cantar, comer, beber (e isso eles faziam muito!), etc.
A reunião não se limitava à cozinha e ia para o quintal, onde ficavam estacionados os carros e onde eu e meus primos da mesma idade brincávamos na rampa que ia em direção à rua, na laje, na parte de cima, onde havia um pé de alguma coisa – se eu não me engano jaboticaba – e uma balança, feita pelo Tio Zé (que também não era tio, era primo).
Além das crianças, os mais velhos também iam para fora e sentavam na rampa, onde cantavam – muitos bêbados, outros nem tanto – e continuavam a conversar...
A reunião de domingo não se limitava à família e a vizinhança, bem conhecida por eles, também costumava participar com personagens inusitados e, aqui, entra o Benito di Paula.
Entre os vizinhos – a solteirona do lado, Nancy; o alemão amigo do Tio Damas, o patriarca da família, conhecido pelo apelido Schön... Mas era justamente no fim da tarde, na hora da “Porta da esperança”, do Silvio, que chegava também a Vi, namorada do Tio Damas, e ele, o "meu" Benito di Paula, oops, o Tom.
O Tom sempre foi uma figura, no mínimo, esquisita. Sempre magrinho, cabelos grisalhos, com seu paletozinho cinza, sapatos pretos e camisa branca, ele aparecia nessas reuniões, como se fosse da família e participava de todas as conversas, fumando seu cigarrinho, contando histórias difícies de entender, pois o que ele falava em estado normal já era difícil, bêbado então...
Fato é que nunca vi o Tom cantar, nunca vi tocar piano, e ele sequer falava no Charlie Brown, mas era olhar pra ele e ver Benito di Paula. Na verdade, eu sempre tive a certeza de que ele era realmente o Benito e até achava legal ele ir ao meu aniversário, viajar com a gente (eu acho que ele viajou uma vez, mas não lembro), tipo: “O Benito di Paula foi ao meu aniversário, não é o máximo?!”
Enfim, o tempo passou, as reuniões aos finais de semana pararam de acontecer, Tio Damas e Vi faleceram, Tio Zé mudou, Tia Neyde mudou, não dá mais pra ficar sentada na rampa brincando, a “Porta da Esperança” não passa mais, Tom sumiu e, com ele, Benito di Paula.
Na realidade, outro dia, ele apareceu na TV, mas não era mais o mesmo, faltava o piano, o paletozinho, parecia mais um velhinho decrépito do que o amigo do Charlie Brown... Talvez seja porque o meu Benito di Paula nunca tenha sido aquele da TV, mas só o nosso amigo Tom.
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