"é a suspensão intencional do pensamento, quando o silêncio parece mais expressivo do que a palavra". (ROCHA LIMA, Carlos Henrique da. Gramática normativa da língua portuguesa. Rio de Janeiro: José Olympio, 1999. p. 511)
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segunda-feira, 26 de setembro de 2011
domingo, 18 de setembro de 2011
terça-feira, 6 de setembro de 2011
terça-feira, 30 de agosto de 2011
A Serafina e o Criolo
Aí, a revista Serafina, publicada pela Folha de S. Paulo, trouxe estampada na capa o rapper do momento, o Criolo, e deu a ele uma matéria de seis páginas, cheia de fotos produzidas e...
Quem me conhece sabe que eu tenho certa implicância com a forma como o rap é tratado. Explico: ninguém gosta de rap, mas de repente um cara/um grupo faz um rap com um tom um pouco mais pop e, pronto, nego sai por aí dizendo que adora rap, que é do movimento. Foi por causa de toda essa minha "implicância" e por gostar do som do Criolo (desde a época em que ele era Criolo Doido) que eu resolvi ler a matéria da Serafina.
Bom, a matéria foi escrita por uma pessoa que, provavelmente, nunca tenha ouvido rap na vida. Talvez não tenha ouvido nem o aclamado "Nó na Orelha" do Criolo. E, como todo bom jornalista, não se preocupou em pesquisar muito além da Wikipedia.
O texto começa até bem, falando sobre uma festa na Hole - balada conhecida de quem curte rap, reggae, dancehall -, porém, a certa altura do texto, a jornalista escreve:
Pausa: Dexter nunca foi dos Racionais. Dexter era parte da dupla 509E, que agora segue em carreira solo. Quanto ao brasiliense GOG, este merecia uma referência também, como a dada sobre Edi Rock, já que foi um dos pioneiros do rap nacional.
Lá pelas tantas, aparece perdido no texto uma citação ao Hole como HoLLe. Ops, erro de digitação ou total falta de conhecimento mesmo? Não sei.
Outro parágrafo diz:
Pausa 2: Desculpe, eu gosto muito do Criolo, mas o álbum não é pioneiro. Jair Rodrigues já misturou o samba com o rap há muito tempo com o seu "Deixa que digam, que pensem, que falem...", assim como Marcelo D2 e Rappin' Hood que, bem ou mal, já misturaram sons.
Mas os parágrafos que mais me chamaram a atenção foram estes:
Ter dois formatos de show é ótimo e eu acredito que isso ocorra para que a apresentação possa ser adaptada a qualquer local e a qualquer bolso.
O que me intriga é o fato de a jornalista escrever que "O público fiel do rap tem assim a chance de ver um show com estrutura caprichada, enquanto os novos fãs (...) podem sentir a pancada de ouvir um rapper disparar suas letras apoiado só pelas batidas e pelo coro", peraí: público de rap também é público de shows bem estruturados, não é porque gosta de rap que só vê show no bar do Zé Batidão. Por outro lado, é difícil acreditar que estes "novos fãs" frequentem o "universo dos rimadores", afinal eles foram conquistados pelo fato de ser um rap que não parece rap, não é?
A matéria traz ainda um box com o título "Acredite nesse 'hype'(citação à música do Public Enemy, que nem vou perder tempo comentando)". É, Criolo virou "hype" na matéria da Serafina.
Ali, a editora de um dos cadernos da Folha afirma sobre o rap:
O rap existe como "fonte primordial da música pop norte-americana" há pelo menos 20 anos, não 10.
Não há como comparar o rap norte-americano com o rap feito no Brasil. Enquanto lá predomina os rappers do bling-bling e do pimp, aqui o rap é música de caráter social e, por isso, nunca foi democratizado.
A tal "possibilidade" de democratização ocorre porque Criolo fez uma música falando de amor em São Paulo em ritmo que se distancia do rap, então isso não é democratizar o rap, não é?
O rap sempre esteve aí, há mais de 20 anos, a periferia, pretos, brancos, manos sempre estiveram aí - já disse Mano Brown "O mundo é diferente da ponte pra cá" - quer dizer, a ponte sempre esteve aí, não foi criada, mas ninguém nunca quis atravessar. É fácil gostar de Criolo falando de amor em ritmo de bolero num show no Auditório do Ibirapuera. Queria ver gostar de Criolo cantando sobre o Grajaú numa rinha de MCs no Vale do Anhangabaú ou numa comunidade da Leste.
No finalzinho do texto, a autora ainda diz:
Quer dizer que, no final, o rap do Criolo só se aproxima do nosso discurso quando fala da solidão na metrópole e do amor não correspondido, só assim se torna universal. Como se o crime e a desigualdade não fizessem parte desse "universo". Estranho... E "linguagem cifrada dos MCs", "dialeto" é o caralho!
Enfim, são só opiniões e comentários sobre o que eu li. Eu continuo gostando de Criolo (Doido) e de rap... Mas queria ver nego gostar desse Criolo Doido.
Quem me conhece sabe que eu tenho certa implicância com a forma como o rap é tratado. Explico: ninguém gosta de rap, mas de repente um cara/um grupo faz um rap com um tom um pouco mais pop e, pronto, nego sai por aí dizendo que adora rap, que é do movimento. Foi por causa de toda essa minha "implicância" e por gostar do som do Criolo (desde a época em que ele era Criolo Doido) que eu resolvi ler a matéria da Serafina.
Bom, a matéria foi escrita por uma pessoa que, provavelmente, nunca tenha ouvido rap na vida. Talvez não tenha ouvido nem o aclamado "Nó na Orelha" do Criolo. E, como todo bom jornalista, não se preocupou em pesquisar muito além da Wikipedia.
O texto começa até bem, falando sobre uma festa na Hole - balada conhecida de quem curte rap, reggae, dancehall -, porém, a certa altura do texto, a jornalista escreve:
Pensa um pouco e continua. "Recentemente, subi ao palco com GOG, Dexter e Edi Rock. Foi outra grande honra. Tenho sido abençoado", afirma, falando de seus encontros com grandes nomes do rap, os dois últimos integrantes do Racionais.
Pausa: Dexter nunca foi dos Racionais. Dexter era parte da dupla 509E, que agora segue em carreira solo. Quanto ao brasiliense GOG, este merecia uma referência também, como a dada sobre Edi Rock, já que foi um dos pioneiros do rap nacional.
Lá pelas tantas, aparece perdido no texto uma citação ao Hole como HoLLe. Ops, erro de digitação ou total falta de conhecimento mesmo? Não sei.
Outro parágrafo diz:
A faixa é um dos hits de "Nó na Orelha", álbum lançado neste ano e apontado como pioneiro por misturar o rap a ritmos como reggae, bolero e samba.
Pausa 2: Desculpe, eu gosto muito do Criolo, mas o álbum não é pioneiro. Jair Rodrigues já misturou o samba com o rap há muito tempo com o seu "Deixa que digam, que pensem, que falem...", assim como Marcelo D2 e Rappin' Hood que, bem ou mal, já misturaram sons.
Mas os parágrafos que mais me chamaram a atenção foram estes:
Criolo tem apresentado dois formatos de show. Uma versão tem banda poderosa, com nomes como o violonista revelação Kiko Dinucci, além de bateria, piano, baixo, metais e duas backing vocals. A outra aposta na formação clássica do hip hop: DJ e MC.
O público fiel do rap tem assim a chance de ver um show com estrutura caprichada, enquanto os novos fãs, que acabam de conhecer o universo dos rimadores, podem sentir a pancada de ouvir um rapper disparar suas letras apoiado só pelas batidas e pelo coro de aliados.
Ter dois formatos de show é ótimo e eu acredito que isso ocorra para que a apresentação possa ser adaptada a qualquer local e a qualquer bolso.
O que me intriga é o fato de a jornalista escrever que "O público fiel do rap tem assim a chance de ver um show com estrutura caprichada, enquanto os novos fãs (...) podem sentir a pancada de ouvir um rapper disparar suas letras apoiado só pelas batidas e pelo coro", peraí: público de rap também é público de shows bem estruturados, não é porque gosta de rap que só vê show no bar do Zé Batidão. Por outro lado, é difícil acreditar que estes "novos fãs" frequentem o "universo dos rimadores", afinal eles foram conquistados pelo fato de ser um rap que não parece rap, não é?
A matéria traz ainda um box com o título "Acredite nesse 'hype'(citação à música do Public Enemy, que nem vou perder tempo comentando)". É, Criolo virou "hype" na matéria da Serafina.
Ali, a editora de um dos cadernos da Folha afirma sobre o rap:
Enquanto o rap é fonte primordial da música pop norte-americana há pelo menos dez anos, o Brasil só agora flerta com a possibilidade de democratizá-lo. E Criolo faz parte desse movimento ao criar uma ponte entre periferia e centro, pretos e brancos, manos e hipsters.
O rap existe como "fonte primordial da música pop norte-americana" há pelo menos 20 anos, não 10.
Não há como comparar o rap norte-americano com o rap feito no Brasil. Enquanto lá predomina os rappers do bling-bling e do pimp, aqui o rap é música de caráter social e, por isso, nunca foi democratizado.
A tal "possibilidade" de democratização ocorre porque Criolo fez uma música falando de amor em São Paulo em ritmo que se distancia do rap, então isso não é democratizar o rap, não é?
O rap sempre esteve aí, há mais de 20 anos, a periferia, pretos, brancos, manos sempre estiveram aí - já disse Mano Brown "O mundo é diferente da ponte pra cá" - quer dizer, a ponte sempre esteve aí, não foi criada, mas ninguém nunca quis atravessar. É fácil gostar de Criolo falando de amor em ritmo de bolero num show no Auditório do Ibirapuera. Queria ver gostar de Criolo cantando sobre o Grajaú numa rinha de MCs no Vale do Anhangabaú ou numa comunidade da Leste.
No finalzinho do texto, a autora ainda diz:
O artista usa a linguagem cifrada dos MCs. Mas, quando temas característicos do rap nacional, como o crime e a desigualdade, dividem estrofes com a solidão na metrópole e o amor não-correspondido, fica fácil penetrar no seu dialeto. O discurso se torna universal.
Quer dizer que, no final, o rap do Criolo só se aproxima do nosso discurso quando fala da solidão na metrópole e do amor não correspondido, só assim se torna universal. Como se o crime e a desigualdade não fizessem parte desse "universo". Estranho... E "linguagem cifrada dos MCs", "dialeto" é o caralho!
Enfim, são só opiniões e comentários sobre o que eu li. Eu continuo gostando de Criolo (Doido) e de rap... Mas queria ver nego gostar desse Criolo Doido.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Se gritar "Pega ladrão!", não fica um...
Nunca fui adepta aos furtos em mercados como todas as crianças da minha época eram. Roubar brindes e surpresas do danoninho, do sucrilhos e de outras coisas, pra mim, não tinha a menor graça, já que eu sempre tive tudo.
Porém, meu primeiro furto tinha que acontecer um dia e, como boa garota mimada criada a leite Ninho e Sustagem (como diria MV Bill), tinha que ser de alguma coisa mais digna em um lugar mais digno.
Eu tinha 14 anos quando fui pela segunda vez para a Disney. Era pra ser uma viagem de formatura com a minha turma de 8ª série, mas eles iam “só” para a Disnehttp://www.blogger.com/img/blank.gify http://www.blogger.com/img/blank.gife a proposta da minha mãe era muito mais tentadora: 20 dias viajando pela Flórida, incluindo a Disney.
Óbvio que eu optei pela viagem mais longa, que incluiria as regalias e liberdades oferecidas (e patrocinadas) pela minha mãe. Em outras palavras: enquanto meus amiguinhos teriam que estar dormindo no hotel às 10h da noite, eu estaria curtindo o Hard Rock Café, jantando no Rosie O’ Gradys, passeando pelo Bayside, enfim, estaria me divertindo e ganhando todos os bichinhos, lembrancinhas, tênis, eletrônicos e CDs que quisesse.
CDs: esse era um assunto que me interessava muito naquela época, especialmente naquela viagem (assunto pra outro post). E foi assim que, em busca de um CD bacana, entrei numa loja maravilhosa no Bayside, em Miami. Eu queria todos, mas minha mãe me limitou à compra de um e o escolhido foi o Nevermind, do Nirvana.http://www.blogger.com/img/blank.gif
Na saída da loja, havia um display com umas revistas grandes, com capa bonita (estilo Rolling Stone) em exposição. A capa era do Nirvana e eu, obviamente, peguei a minha e saí andando.
Li a revista inteira e, durante anos, ela ficou guardada em casa, dentro de uma caixa junto com os diversos números de Rock Brigade, Tribo, Fluir, Inside e Bizz, que minha tia assinava pra mim. Até o dia em que resolvi jogar um pouco de lixo fora (eu já disse aqui que sou lixeira uma vez), a começar pelas revistas de rock e surf que já não me atraíam tanto.
Foi nesse dia que peguei novamente a revista do Kurt na mão e, qual não foi minha surpresa, ao perceber que a revista que eu tinha pego gratuitamente na porta da loja não era gratuita e custava US$ 11!
Pois é, guardei por mais algum tempo o objeto do furto que exibia para minhas amigas dizendo: “Essa revista aqui, ó, eu roubei em Miami.” e foi assim que, por algum tempo, me senti uma adolescente infratora, praticamente a filha do Fernandinho Beira-Mar.

But nevermind, I’m not a thief anymore....
Porém, meu primeiro furto tinha que acontecer um dia e, como boa garota mimada criada a leite Ninho e Sustagem (como diria MV Bill), tinha que ser de alguma coisa mais digna em um lugar mais digno.
Eu tinha 14 anos quando fui pela segunda vez para a Disney. Era pra ser uma viagem de formatura com a minha turma de 8ª série, mas eles iam “só” para a Disnehttp://www.blogger.com/img/blank.gify http://www.blogger.com/img/blank.gife a proposta da minha mãe era muito mais tentadora: 20 dias viajando pela Flórida, incluindo a Disney.
Óbvio que eu optei pela viagem mais longa, que incluiria as regalias e liberdades oferecidas (e patrocinadas) pela minha mãe. Em outras palavras: enquanto meus amiguinhos teriam que estar dormindo no hotel às 10h da noite, eu estaria curtindo o Hard Rock Café, jantando no Rosie O’ Gradys, passeando pelo Bayside, enfim, estaria me divertindo e ganhando todos os bichinhos, lembrancinhas, tênis, eletrônicos e CDs que quisesse.
CDs: esse era um assunto que me interessava muito naquela época, especialmente naquela viagem (assunto pra outro post). E foi assim que, em busca de um CD bacana, entrei numa loja maravilhosa no Bayside, em Miami. Eu queria todos, mas minha mãe me limitou à compra de um e o escolhido foi o Nevermind, do Nirvana.http://www.blogger.com/img/blank.gif
Na saída da loja, havia um display com umas revistas grandes, com capa bonita (estilo Rolling Stone) em exposição. A capa era do Nirvana e eu, obviamente, peguei a minha e saí andando.Li a revista inteira e, durante anos, ela ficou guardada em casa, dentro de uma caixa junto com os diversos números de Rock Brigade, Tribo, Fluir, Inside e Bizz, que minha tia assinava pra mim. Até o dia em que resolvi jogar um pouco de lixo fora (eu já disse aqui que sou lixeira uma vez), a começar pelas revistas de rock e surf que já não me atraíam tanto.
Foi nesse dia que peguei novamente a revista do Kurt na mão e, qual não foi minha surpresa, ao perceber que a revista que eu tinha pego gratuitamente na porta da loja não era gratuita e custava US$ 11!
Pois é, guardei por mais algum tempo o objeto do furto que exibia para minhas amigas dizendo: “Essa revista aqui, ó, eu roubei em Miami.” e foi assim que, por algum tempo, me senti uma adolescente infratora, praticamente a filha do Fernandinho Beira-Mar.

But nevermind, I’m not a thief anymore....
segunda-feira, 14 de março de 2011
Praça de alimentação

Só existe uma coisa pior do que pegar fila em bandejão para almoçar: almoçar em praça de alimentação de shopping durante a semana.
Não importa o tamanho da praça de alimentação, comer ali sempre vai ser um probelma.
Tudo começa quando você chega a ela e se depara com duas opções:
1. Guardar um lugar para sentar; ou
2. Escolher alguma coisa pra comer entre as dezenas de opções.
Bom, se você, como eu, almoça em praça de alimentação porque é o que há de melhor, mais variado e mais perto do seu trampo, com certeza, faz uma ideia do que seja o drama.Vamos por partes.
Há dois tipos de pessoas que frequentam praça de alimentação de shopping durante a semana:
1. As que, como você, só tem 1 hora de almoço e precisam otimizar o tempo, então sentem-se no direito de guardar 500 lugares para o almoço de despedida daquele querido amigo que vai para outra empresa.
2. E as que, bem ao contrário de você, não tem nada pra fazer, foram dar uma volta no shopping, fazer umas comprinhas e sentiram fome.
Fato é que você chega à praça de alimentação morrendo de fome e dá de cara com um monte de mesas vazias com crachás sobre elas. Sim, os crachás querem dizer que a mesa está ocupada, as pessoas estão comprando suas comidas e logo estarão ocupando aquele lugar.
Aí, você decide comprar sua comida antes de encontrar um local para sentar. Isso leva um tempo e, até que você opte pelo que é menos saudável, responda a todas as perguntas automáticas das atendentes, quando você vai ver, não há nenhuma mesa disponível.
Começa assim sua busca por um local para sentar. Com a bandeja na mão, você procura, anda pra lá e pra cá e pode observar que, depois de sentadas, as pessoas não estão nem aí pra quem espera por um lugar e são capazes de ficar ali horas conversando com as bandejas vazias, só pra te irritar.
A única saída então é dar uma de mal educada e parar ao lado de uma mesa em que as pessoas já tenham acabado de comer ou estejam acabando e ficar ali, dando uma olhadinha semi-disfarçada, até que o otário se manque e mexa a bunda da cadeira.
Feito isso, você pode se deparar com duas situações:
1. A pessoa se levantar de boa vontade e levar a bandeja para o lixo; ou
2. A pessoa se levantar de cara feia e largar a bandeja e toda a sua sujeira sobre a mesa.
A esta altura, sua comida já esfriou e sua bebida já esquentou, mas enfim você consegue finalmente sentar e começar a comer. Mas não pense que tudo acabou. Agora é você quem passa a ser observado por pessoas também querem sentar...
sábado, 19 de fevereiro de 2011
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