Almoçar fora pode se tornar uma aventura gastronômica quando você tem por perto uma dezena de opções para experimentar quando tem dinheiro ou não.
A mesma variedade que proporciona a você uma aventura pode proporcionar situações, no mínimo bizarras, especialmente no quesito "invencionices do chef".
Parece incrível, mas você já percebeu o que as pessoas inventam para chamar sua atenção e transforar um simples macarrão na manteiga em um prato com nome francês ou completamente bizarro que faz você pensar estar almoçando em algum restaurante chiquérrimo na Europa.
Explico: vocês já repararam as coisas que têm no cardápio dos restaurantes? Normalmente, são pratos simples, que você não levaria mais de 15 minutos nem gastaria mais de 15 reais pra preprar em casa, mas gracas a seus incríveis nomes, você paga mais de 25 reais por eles.
Outro dia, vi numa placa em um restaurante o seguinte: talharim grelhado. Alguém, por favor, poderia me explicar como faz isso porque, sinceramente, minha imaginação não é tão fértil assim.
No restaurante ao lado, o prato do dia era macarrão salteado na manteiga com ervas frescas. Conferi e nada mais era do que macarrão cozido, sem molho, passado na manteiga com 2 folhas de sálvia.
Na Vila Madalena, há um restaurante especializado em bruschettas (cuidado ao ler isso!). Ali você paga por nomes exóticos e come pão com alguma coisa simples em cima. Você vai encontrar coisas como "bruschetta tapenade de azeitonas pretas", "bruschetta ragù bolognese tradizionale", mas quer mesmo saber o que é? Uma fatia de pão com um monte de azeitona preta em cima ou uma fatia de pão com molho de tomate e carne moída mesmo, bem do tipo que vai no macarrão à bolonhesa de domingo.
Mas o que mais me impressionou no que diz respeito a bizarrices gastronômicas foi uma tal de "couve premium"... "Por 9 reais, você experimenta nossa deliciosa couve premium". Quer dizer, 9 reais pra comer um acompanhamento, sendo que esse acompanhamento é couve... E o que ela tem de premium? Alho. Pois é, ao perguntar o que seria essa tal de "couve premium", obtive como respostas: "é uma couve puxada no alho" (aliás, tudo que é "puxado em alguma coisa" é mais caro, cuidado com isso... puxado no alho, puxado no azeite...).
Acho que posso parar por aqui.
Cérebro de laranja-lima
quinta-feira, 15 de março de 2012
terça-feira, 13 de março de 2012
Uma garçonete caridosa
Aí, você vai ao restaurante que está acostumada a ir sempre e ele está participando da Restaurant Week. Aí, você vê a garçonete, sempre "super-simpática" com os clientes, participar do seguinte diálogo:
Deu vontade de interromper e chamar algum sociólogo para participar da discussão.
- Olha, senhor, é entrada, prato principal e sobremesa por R$ 31,90, sem bebidas, nem serviço.
- Legal, mas é só R$ 31,90 mesmo, né?
- É, tem mais 1 real que é pra ser doado para a entidade XPTO.
- Mas então é R$ 32,90...
- Olha, senhor, é uma doação...
- Mas eu não sou obrigado a doar, né?
- Não, mas aí vai da consciência de cada um. Quer dizer, o senhor gasta 31 reais comendo do bom e do melhor, entrada, prato principal e sobremesa... que diferença faz doar 1 real?
- Um café, talvez.
- Então... Bom, por que, enquanto o senhor estiver se acabando de comer, não pensa nas milhares de pessoas que não têm o que comer e se dispõe a doar esse 1 real, hein?
- Já pensei... Vou comer algo do cardápio mesmo, só pra não ter que passar meu almoço pensando nisso, nem ter que fazer essa doação pra sua família.
- Ok, senhor.
Deu vontade de interromper e chamar algum sociólogo para participar da discussão.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
A música, o candomblé e o que dizem...
Em 1966, junto com Vinicius de Moraes e dividindo os vocais com o Quarteto em Cy, Baden Powell gravou o álbum ‘Os Afro-Sambas’.
Coletânea de canções de candomblé, capoeira ou inspiradas em temas afro-brasileiros, o álbum tem a clássica ‘Canto de Ossanha’, que contou com a participação de Betty Faria no coro.
Dizem que, como canções de candomblé não podem ser interpretadas à toa, Baden precisou pedir autorização aos pais de santo para poder gravar um álbum com tais músicas.
Dizem também que Vinicius de Moraes frequentava os terreiros de candomblé e, ao contrário dos outros participantes dos rituais e das cerimônias religiosas que sentavam no chão, sentava-se em um banquinho por incorporar entidades superiores (ou será porque ele era Vinicius de Moraes, hein?!).
Coletânea de canções de candomblé, capoeira ou inspiradas em temas afro-brasileiros, o álbum tem a clássica ‘Canto de Ossanha’, que contou com a participação de Betty Faria no coro.
Dizem que, como canções de candomblé não podem ser interpretadas à toa, Baden precisou pedir autorização aos pais de santo para poder gravar um álbum com tais músicas.
Dizem também que Vinicius de Moraes frequentava os terreiros de candomblé e, ao contrário dos outros participantes dos rituais e das cerimônias religiosas que sentavam no chão, sentava-se em um banquinho por incorporar entidades superiores (ou será porque ele era Vinicius de Moraes, hein?!).
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Sobre Fazer Listas
Tenho mania de fazer listas. Não, não são listas de promessas de fim
de ano, muito menos de compras. São listas de coisas esquisitas.
Uma delas é a lista de metas da minha vida… Tá certo que, na maioria das vezes, o tempo planejado para cumprir as tais “metas” não dá certo, mas, aos poucos, estou tentando cumpri-las.
Meu facebook é todo dividido em listas, quer dizer, meus amigos se dividem em listas: legais, mas que eu não preciso manter contato sempre; legais; amigos; não cheira, nem fede….
Minha especialidade é fazer listas de presentes que quero ganhar de aniversário, Natal, etc. Como sou bem enjoadinha, prefiro saber o que vou ganhar a ganhar uma coisa que, com toda a certeza, não vou conseguir disfarçar que não gostei. Facilita a vida das poucas pessoas que me presenteiam: quer me dar um presente, mas não sabe o quê, eu tenho uma lista com tudo que quero e para todos os bolsos.
Mas a mais bizarra das minhas listas é, sem dúvidas, a lista de pessoas com quem eu me casaria fácil (sim, esse é o nome da lista!). A lista é longa e todos os nomes têm uma justificativa de ser. Porém o que há de mais bizarro nela é o fato de que todos, ou 90% das opções, são homens velhos, feios e/ou mortos, mas principalmente velhos e feios.
Deixo vocês com meu top five para me zoarem. Quer dizer, aceito críticas e sugestões, bem como indicações de candidatos vivos e mais acessíveis.
1. Samuel Beckett
2. Jorge du Peixe
3. Marcelo D2
4. Lenine
5. Fred 04
...
Uma delas é a lista de metas da minha vida… Tá certo que, na maioria das vezes, o tempo planejado para cumprir as tais “metas” não dá certo, mas, aos poucos, estou tentando cumpri-las.
Meu facebook é todo dividido em listas, quer dizer, meus amigos se dividem em listas: legais, mas que eu não preciso manter contato sempre; legais; amigos; não cheira, nem fede….
Minha especialidade é fazer listas de presentes que quero ganhar de aniversário, Natal, etc. Como sou bem enjoadinha, prefiro saber o que vou ganhar a ganhar uma coisa que, com toda a certeza, não vou conseguir disfarçar que não gostei. Facilita a vida das poucas pessoas que me presenteiam: quer me dar um presente, mas não sabe o quê, eu tenho uma lista com tudo que quero e para todos os bolsos.
Mas a mais bizarra das minhas listas é, sem dúvidas, a lista de pessoas com quem eu me casaria fácil (sim, esse é o nome da lista!). A lista é longa e todos os nomes têm uma justificativa de ser. Porém o que há de mais bizarro nela é o fato de que todos, ou 90% das opções, são homens velhos, feios e/ou mortos, mas principalmente velhos e feios.
Deixo vocês com meu top five para me zoarem. Quer dizer, aceito críticas e sugestões, bem como indicações de candidatos vivos e mais acessíveis.
1. Samuel Beckett
2. Jorge du Peixe
3. Marcelo D2
4. Lenine
5. Fred 04
...
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
30 Anos
Nesse fim de ano, eu fiz 30 anos. Não que isso signifique muito
pra mim, afinal, é só mais um número pra coleção de números da minha
vida. Mas é estranho; parece que fazer 30 anos tem muito mais
significado para os outros.
Há algumas semanas, as pessoas vêm me perguntando como me sinto prestes a fazer 30 anos, prestes a me tornar uma balzaquiana, preste a isso, a aquilo… enfim…
Sinceramente, me sinto do mesmo jeito que me senti quando fiz 18, outro número supostamente marcante: nada muda. Aliás, talvez mude sim, já que agora passarei a usar o Chronos 30 da Natura ao invés do 25, mas, de resto, tudo permanece igual.
Quando eu era pequena, ficava imaginando como seria minha vida aos 18 anos. Em minha cabeça louca e criativa de criança, passavam imagens todas prateadas, futurísticas, roupas metálicas, naves… resumindo: Jetsons. Cheguei aos 18 anos e o mundo continuava do mesmo jeito que eu o conheci quando nasci.
É, tirando algumas poucas mudanças “revolucionárias”, como o surgimento da “incrível” internet, agora, aos 30 anos, vejo que é verdade, as coisas não mudam. O que mudam, no máximo, são os nomes (mas por essa etapa, eu passei aos 12 anos) e a forma como vemos as coisas…
Há algumas semanas, as pessoas vêm me perguntando como me sinto prestes a fazer 30 anos, prestes a me tornar uma balzaquiana, preste a isso, a aquilo… enfim…
Sinceramente, me sinto do mesmo jeito que me senti quando fiz 18, outro número supostamente marcante: nada muda. Aliás, talvez mude sim, já que agora passarei a usar o Chronos 30 da Natura ao invés do 25, mas, de resto, tudo permanece igual.
Quando eu era pequena, ficava imaginando como seria minha vida aos 18 anos. Em minha cabeça louca e criativa de criança, passavam imagens todas prateadas, futurísticas, roupas metálicas, naves… resumindo: Jetsons. Cheguei aos 18 anos e o mundo continuava do mesmo jeito que eu o conheci quando nasci.
É, tirando algumas poucas mudanças “revolucionárias”, como o surgimento da “incrível” internet, agora, aos 30 anos, vejo que é verdade, as coisas não mudam. O que mudam, no máximo, são os nomes (mas por essa etapa, eu passei aos 12 anos) e a forma como vemos as coisas…
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Sobre Os Correios
Vou confessar uma coisa: eu sinto falta de escrever cartas. Sim,
mesmo respirando tecnologia quase que 24 horas por dia, o que me
aproxima de 90% das pessoas pra quem eu gostaria de escrever, sinto
falta de escrever cartas para elas.
Não sou tão velha assim, mas sou do tempo em que…
…quando queriam ganhar um brinquedo, as crianças mandavam cartinhas para o programa de sua apresentadora infantil preferida.
… para participar de promoções, as mães recortavam embalagens de macarrão e mandavam para uma determinada caixa postal até uma data específica e ficavam ansiosas pelo sorteio ao vivo no intervalo da novela das oito.
… os casais apaixonados escreviam suas declarações por cartas enviadas sempre em papéis bonitos e, às vezes, até perfumados.
… os que queriam se declarar, mas não tinham coragem, escreviam cartas que dificilmente seriam enviadas.
… amigos distantes contavam novidades por cartas que demoravam a chegar. Mal recebíamos uma, já ficávamos à espera do que viria nas próximas.
… amigos adolescentes trocavam segredos por cartinhas em folhas de caderno arrancadas durante a aula.
… colecionávamos os mais belos papéis para enviar às pessoas mais queridas.
Não que eu não goste da facilidade e da rapidez com que a internet me proporciona acesso às pessoas queridas (ou não), mas há certa impessoalidade nestas relações, certo distanciamento.
Cada vez que vejo um recado, um post, um tweet, fico imaginando como seria a letra de quem escreve – será a caligrafia redondinha ensinada antigamente na escola ou a letra de forma objetiva ou a incompreensível letra de médico? -, em que papel estariam escritas aquelas palavras… será que, no espaço da página em branco, seriam mesmo aquelas as palavras escolhidas….
Quando eu era adolescente, havia seções em algumas revistas (como a Rock Brigade) destinadas à troca de correspondência. Funcionava assim: caso quisesse se corresponder com pessoas de diversos lugares, com interesses em comum, você mandava seu endereço para a seção e, depois de publicado, as pessoas começavam a trocar cartas. Era o tal do penpal americano em verão nacional. Nunca mandei meu endereço por não gostar da exposição, mas, certa vez, no curso de inglês, a professora passou o endereço de uma garota que morava em New Jersey e que gostaria de se corresponder com os alunos. Aproveitando a oportunidade para treinar nosso inglês, eu e os outros alunos começamos a escrever.
A ansiedade adolescente deixava a situação ainda mais emocionante: eu não só receberia uma carta, como ela viria de outro país, escrita em outro idioma… Como se New Jersey fosse na esquina da minha casa, todos os dias, eu esperava ansiosa que o porteiro colocasse embaixo da porta o envelope branquinho com o selinho colorido e o carimbo vermelho com a data.
Tenho até hoje as cartas que recebia da Nicole – sim era esse o nome da minha penpal friend, assim como tenho guardadas muitas das cartinhas que recebi nesses quase 30 anos de vida… Reler certas palavras, rever letras que uma vez foram tão comuns para mim, lembrar assuntos e segredos tão inocentes, lembrar de pessoas que já se foram… É, é disso que eu sinto falta, de ter os sentimentos e as pessoas, de alguma forma, para sempre presentes na minha vida.
Não sou tão velha assim, mas sou do tempo em que…
…quando queriam ganhar um brinquedo, as crianças mandavam cartinhas para o programa de sua apresentadora infantil preferida.
… para participar de promoções, as mães recortavam embalagens de macarrão e mandavam para uma determinada caixa postal até uma data específica e ficavam ansiosas pelo sorteio ao vivo no intervalo da novela das oito.
… os casais apaixonados escreviam suas declarações por cartas enviadas sempre em papéis bonitos e, às vezes, até perfumados.
… os que queriam se declarar, mas não tinham coragem, escreviam cartas que dificilmente seriam enviadas.
… amigos distantes contavam novidades por cartas que demoravam a chegar. Mal recebíamos uma, já ficávamos à espera do que viria nas próximas.
… amigos adolescentes trocavam segredos por cartinhas em folhas de caderno arrancadas durante a aula.
… colecionávamos os mais belos papéis para enviar às pessoas mais queridas.
Não que eu não goste da facilidade e da rapidez com que a internet me proporciona acesso às pessoas queridas (ou não), mas há certa impessoalidade nestas relações, certo distanciamento.
Cada vez que vejo um recado, um post, um tweet, fico imaginando como seria a letra de quem escreve – será a caligrafia redondinha ensinada antigamente na escola ou a letra de forma objetiva ou a incompreensível letra de médico? -, em que papel estariam escritas aquelas palavras… será que, no espaço da página em branco, seriam mesmo aquelas as palavras escolhidas….
Quando eu era adolescente, havia seções em algumas revistas (como a Rock Brigade) destinadas à troca de correspondência. Funcionava assim: caso quisesse se corresponder com pessoas de diversos lugares, com interesses em comum, você mandava seu endereço para a seção e, depois de publicado, as pessoas começavam a trocar cartas. Era o tal do penpal americano em verão nacional. Nunca mandei meu endereço por não gostar da exposição, mas, certa vez, no curso de inglês, a professora passou o endereço de uma garota que morava em New Jersey e que gostaria de se corresponder com os alunos. Aproveitando a oportunidade para treinar nosso inglês, eu e os outros alunos começamos a escrever.
A ansiedade adolescente deixava a situação ainda mais emocionante: eu não só receberia uma carta, como ela viria de outro país, escrita em outro idioma… Como se New Jersey fosse na esquina da minha casa, todos os dias, eu esperava ansiosa que o porteiro colocasse embaixo da porta o envelope branquinho com o selinho colorido e o carimbo vermelho com a data.
Tenho até hoje as cartas que recebia da Nicole – sim era esse o nome da minha penpal friend, assim como tenho guardadas muitas das cartinhas que recebi nesses quase 30 anos de vida… Reler certas palavras, rever letras que uma vez foram tão comuns para mim, lembrar assuntos e segredos tão inocentes, lembrar de pessoas que já se foram… É, é disso que eu sinto falta, de ter os sentimentos e as pessoas, de alguma forma, para sempre presentes na minha vida.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
O botão. As pessoas.
Eu não gosto de botão. Não é por nada, eu até sei que são importantes, mas eles caem. E quando caem, perdem-se. E quando perdem-se, nunca mais se encontra um igual. E aí, ficamos lá, com a casinha sem o botão.
De repente, a gente tá andando sem pensar em nada e encontra o botão perdido. O botão perdido que nunca mais achará sua casinha. É. Já trocamos os botões, já doamos a roupa...
E o que se faz com o botão encontrado? Tem gente que faz colar. Mas um colar de botões encontrados é só um colar de botões perdidos que nunca mais serão encontrados.
De repente, a gente tá andando sem pensar em nada e encontra o botão perdido. O botão perdido que nunca mais achará sua casinha. É. Já trocamos os botões, já doamos a roupa...
E o que se faz com o botão encontrado? Tem gente que faz colar. Mas um colar de botões encontrados é só um colar de botões perdidos que nunca mais serão encontrados.
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