quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Atenção, senhores passageiros... Fudeu, mas mantenham a calma...

Eu nunca tive medo de avião, como o Belchior, sempre viajei tranquilamente e só sentia aquele friozinho na barriga natural na hora de decolar ou de pousar. Cheguei até a cogitar a possibilidade de seguir a carreira de comissária de bordo.

Fato é que, apesar de não ter medo de avião, já passei por uma situação que poderia facilmente ter me dado certo pânico. E convenhamos: qualquer situação um pouco "diferente" dentro de um avião planando no céu, com sei lá quantas toneladas e mais de 100 pessoas dentro, pode criar pânico, terror e muita agonia.

Bom, há algum tempo, voltávamos minha mãe, vó, tia e eu de uma viagem de férias na Disney. Tudo muito tranquilo, voo sossegado, filme "O casamento do meu melhor amigo" durante a viagem, nada anormal durante o voo. E foi justamente quando pousamos que se criou certo desespero dentro da aeronave. Uma fumaça parecia sair da turbina, comissárias corriam de um lado para outro com cara de "Fudeu!" e a ordem era "Permaneçam sentados e com os cintos de segurança."

O cheiro de fumaça começou a se alastrar por dentro do avião e as pessoas, que até então estavam sentadas, começaram a se levantar desesperadas, afinal ninguém queria morrer de acidente de avião em terra firme (seria como morrer de parto, depois de fazer tratamento para engravidar durante um ano!).

As aeromoças (que pareciam tão desesperadas quanto os passageiros) não se importavam em dar informação alguma, as portas não eram abertas, enfim estávamos presos, achando que o avião explodiria a qualquer momento e em solo firme!

Estávamos sentadas num banco para quatro pessoas: na janela, uma moça desconhecida que vinha renovar seu visto de estudante; eu, minha mãe e minha vó na ponta, no corredor.

Enquanto todos começavam a se liberar e ir para a porta (que permanecia trancada), numa confusão danada, minha vó não se abalava; permanecia sentada, com olhar tranquilo, como se achasse tudo normal. A moça ao nosso lado, muito pelo contrário, começou a jogar sua bolsa por cima de nossas cabeças e só faltou subir nos bancos para poder sair de lá.

O desfecho da história foi meio que... digamos, sem desfecho. Em um determinado momento, as portas foram abertas. As aeromoças colocaram-se a postos e, com o costumeiro sorriso estampado no rosto e um simpático "Até breve.", despediam-se dos passageiros, que não correspondiam ao sorriso e só pensavam em sair de dentro daquele negócio o mais rápido possível, a não ser minh avó que, toda simpática, despedia-se da tripulação como se tivesse tido uma epifania naqueles quinze minutos anteriores (que pareceram 15 horas!).


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